09 de julho de 2026
Geral

Mães acima dos 35 são as que mais tentam largar o cigarro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

Elas são mães de família, possuem de 35 a 70 anos e fumam de um a dois maços de cigarro por dia. As mulheres bauruenses correspondem a 65% do público que procura ajuda para conseguir largar o cigarro na cidade. Realizado há mais de 20 anos, o curso “Como Deixar de Fumar” já beneficiou centenas de pessoas e terá início na próxima semana.

 

“Antes ele me dominava. Hoje, o controle é meu. Ninguém acreditou que eu conseguiria parar, nem eu mesma”. Essa frase parece comum, mas representa uma espécie de hino da vitória para pessoas como a empresária Helen Rangel, 40 anos, que largou o cigarro após conviver por 23 anos com o vício.

 

Há um ano afastada do mal que trouxe uma série de complicações para sua vida, ela se orgulha quando lembra do sufoco durante o primeiro mês de tratamento. 

 

“Sofri muito, dava uma vontade maluca de fumar. Mas quando pensava nos meus filhos, na falta de ar e nos problemas de circulação e de estômago que o cigarro me trouxe, conseguia superar”, relata Helen, uma das 150 pessoas que participaram da edição passada do curso anual promovido para fumantes pela Igreja Adventista do Sétimo Dia com apoio da Secretaria Municipal de Saúde.

 

De acordo com a médica responsável pela ação, que em Bauru acontece há mais de 20 anos, a homeopata Sandra Mara de Oliveira Lima, do total de pacientes que se inscrevem, cerca de 65% seriam mulheres e mães na faixa entre 35 a 70 anos, que buscam no curso ajuda para parar de fumar por conta de problemas na saúde ou na família. Os outros 35% seriam homens, também na faixa etária adulta, que fumam em média de um a dois maços de cigarro por dia.

 

“Os filhos dos fumantes são um grande pivô, pois acabam apresentando quadro de doenças respiratórias duas vezes maior que uma pessoa não fumante, fazendo com que essas mulheres se preocupem e busquem ajuda”, revela a médica

 

 

 

De 70% a 80% chegam lá

 

Quanto aos dados estatísticos referentes aos conquistam a liberdade do cigarro, os números são atraentes. Segundo Sandra, em média, 70% a 80% dos pacientes que passam pelo curso e recebem o acompanhamento médico e psicológico conseguem largar o vício.

 

“Realizamos reuniões diárias e depois um acompanhamento semanal. O adesivo com a nicotina serve apenas de muleta para alguns casos”, enfatiza a médica que aponta o a mudança de hábitos do pretendente como maior triunfo contra o vício. “Não sentar-se no mesmo lugar e não consumir certas coisas, como álcool, por exemplo, ajudam. Ao sentir vontade de fumar a dica é morder um gengibre ou tomar um copo de água devagar”, completa a médica que explica que ao longo das primeiras semanas, crises abstinência que duram cerca de três minutos acontecem por diversas vezes no pretendente ao longo do dia.

 

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade de São Paulo, o número de fumantes registrou queda. Em 2010 17% da população brasileira fumavam, enquanto que em 2011 os casos totalizaram 14,8%.  Ainda nessa pesquisa, os homens apresentaram uma propensão maior de largar o vício em relação às mulheres. 

 

As mulheres, conforme reforça a homeopata, Sandra Lima, realmente possuem maior dificuldade em largar o cigarro. Ela explica que a situação ocorre por conta da tendência da maior instabilidade emocional relacionada à variação hormonal feminina. “Às vezes elas estão indo bem no tratamento, mas de repente vem a Tensão Pré Menstrual (TPM) e acaba com tudo, faz com que recomecem ou desistam”, lembra a médica que também alerta para os riscos maiores em casos de pessoas com histórico de depressão.

 

O Dia Mundial Sem Tabaco é comemorado no dia 31 de maio.

 

 

 

Decisão em dose dupla

 

Responsável por desencadear uma série de complicações respiratórias em seus três filhos, Bárbara Rangel, 21 anos, Guilherme Rangel, 13 anos, e Vitória Rangel, 5 anos, o vício pelo cigarro deixou Helen com problemas circulatórios e estomacais. 

 

Segundo ela, outro fato decisivo considerado para a o abandono do vício, foi a dificuldade de relacionamento em casa. 

 

“Meus filhos nem ficavam muito perto de mim por causa do cheiro. Fumei a gravidez inteira e isso trouxe problemas de saúde, como asma e rinite. Minha filha menor vivia doente. Quando parei de fumar a conta da farmácia baixou absurdamente”, lamenta a empresária, que gastava cerca de R$ 400,00 do orçamento da família somente com a compra de cigarros. 

 

Além de Helen, seu marido, Leonardo Alexandrino, também fumava e após uma cirurgia, realizada no início deste ano, acabou convencido pela esposa a largar o vício. Atualmente, a família Rangel está há 60 dias longe das fumaças da nicotina. E os benefícios são vários, segundo a ex-fumante. 

 

“Meus filhos estão mais amorosos comigo. Antes, eu não conseguia comer e hoje me alimento saudavelmente. Meu estômago teve uma melhora de 70%. Eu não acreditava em mim e, hoje, vejo que consigo tudo”, conta.

 

 

 

Se ela pensou em voltar?

 

A resposta está na rotina de Helen, que precisou ser completamente alterada por conta do condicionamento cultivado por mais de duas décadas. “Eu fui mudando tudo que fazia. Não podia atender ao telefone, que a vontade em acender o cigarro vinha”, exemplifica a mulher, que afirma estar há um ano sem colocar um cigarro sequer na boca. 

 

Sobre as dificuldades em conviver com seu marido no período em que ela estava parando com vício, Helen ressalta que tanto naquela época quanto hoje não se incomoda com os fumantes, “apenas saio de perto quando sinto o cheiro”, mas confessa “às vezes dá vontade de voltar a fumar, mas eu me controlo”. 

 

 

 

Malefícios

 

Além da dependência química, os fumantes também estão expostos uma série de riscos que são ampliados com o consumo da nicotina, conforme explica a homeopata e clínica Sandra Lima. 

 

De acordo com ela, em média, um fumante vive 20 anos a menos que um não fumante e teria aumento em até 89% de chances em desenvolver um câncer pulmonar, aumentando também, de modo considerável, os riscos dessa doença no resto do organismo.

 

As chances de um infarto, por conta dos danos e obstrução cardiovasculares, são ampliadas em até 30% e os riscos de inflamação em vasos sanguíneos que venham a causar futuras tromboses também são facilitados em até 90% nos fumantes.

 

Arritmia cardíaca, bronquite, asma, enfisema pulmonar, rinite, sinusite, gastrite, úlcera e outra série de doenças também têm 90% a mais de riscos de acontecerem em pessoas que se entregam ao vício pela nicotina.

 

Lembrando que, uma pessoa ou até mesmo um animal que fique exposto ao cigarro de modo passivo também amplia as chances em contrair para si os números dessas estatísticas.

 

 

 

  • Serviço

 

Anote: o curso “Como Deixar de Fumar” será do dia 28 deste mês a 1 de junho, a partir das 19h45, na Praça Itália, número 3-7, no Centro. O curso é promovido gratuitamente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (14) 3019-9423 e (14) 3321-5100.