08 de julho de 2026
Geral

Caso Dieckmann continua ?mudo?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Um mistério alimentado pelo silêncio. Após quase 15 dias que as supostas pessoas que participaram do “vazamento” das fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann foram identificadas, o caso parece “estacionado”. De acordo com o que a reportagem apurou, até agora, o adolescente bauruense acusado de ter tentado extorquir a atriz não foi sequer ouvido oficialmente.

 

O jovem de 17 anos morador de Bauru foi apontado no último dia 14 pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), do Rio de Janeiro, como o principal suspeito de ter chantageado em R$ 10 mil a atriz para que as fotos não fossem divulgadas. Na ocasião, outros três suspeitos de terem hackeado e “vazado” as imagens também foram identificados pelos policiais (leia mais ao lado).

 

Desde o fato, o jovem, que é enteado de um advogado, não quis dar declarações. A família se limitou a defender a inocência do garoto e dizer que ele “nunca deu trabalho”. O silêncio dos acusados, entretanto, estendeu-se para todo o caso.

 

O maior mistério é quando ele será ouvido. De acordo com a Polícia Civil carioca e bauruense, o adolescente prestará depoimento por meio de carta precatória. Ou seja, ele será ouvido em Bauru por uma autoridade policial da cidade. “Até agora, não chegou nada”, afirmou o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, no fim da tarde de ontem.

 

A reportagem tentou ouvir os responsáveis pela investigação da DRCI. Ontem, porém, a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o delegado Gilson Perdigão, que conduz o caso, está em viagem no exterior. Já o inspetor Rodrigo Valle não foi localizado pelo JC na unidade especializada.

 

Na semana passada, o inspetor disse que a polícia aguardava algumas “medidas cautelares” para convocar os envolvidos. Ele, entretanto, não revelou quais seriam tais medidas, limitando-se a dizer que se baseavam em algumas “quebras de sigilos”.

 

Apesar de ninguém comentar oficialmente sobre o andamento do caso, a reportagem apurou que a demora em se tomar qualquer passo adiante e o silêncio causam estranheza entre os envolvidos. 

 

 

 

Sem novidades

 

Outro que confirmou não haver quaisquer novidades foi o advogado criminal Sidney Nery Santa Cruz, que irá defender o adolescente bauruense. “Não há nada de novo. Como a carta precatória ainda não chegou, não temos realmente nada a dizer”, afirma.

 

A defesa do jovem queria acesso aos autos do processo antes do depoimento. Assim como a carta precatória, nem estes documentos teriam sido enviados para cá. Em relação ao adolescente, ele estaria tranquilo e frequentando normalmente a escola.

 

E se o caso parece ter “estacionado” em Bauru, em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), onde mora outro suspeito de ser um dos pivôs do caso, a situação é a mesma. Lá, entretanto, Diego Fernando Cruz, 25 anos, que é acusado de ter “vazado” as fotos de Carolina Dieckmann, já foi ouvido pela Polícia Civil carioca.

 

“Por aqui, também não há novidades. Como o jovem já foi ouvido quando a Polícia do Rio de Janeiro veio para cá (no dia 11 de maio), acreditamos que não há nada a ser feito por aqui”, explica o delegado de Macatuba, Marcelo Bertoli Gimenes.

 

 

 

Relembre o caso

 

Além do adolescente de 17 anos de Bauru, outras três pessoas teriam participado do “vazamento” das fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann. No dia 11 de maio, policiais cariocas da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça nas casas dos suspeitos. Foram apreendidos documentos e computadores.

 

Na ocasião, um morador de Macatuba, Diego Fernando Cruz, 25 anos, teria confessado ter repassado as imagens a um site de pornografia. Além dele e do jovem bauruense, mais duas pessoas que moram em outros Estados também estariam envolvidas: Leonan Santos, 20 anos, e Pedro Henrique Matias.

 

Apesar de, até agora, ninguém ter sido indiciado, a Polícia Civil afirmou que os suspeitos poderão responder por formação de quadrilha e pelos crimes de furto, extorsão e difamação.