O sonho de quem mora num país tropical é ver neve, pelo menos uma vez na vida. Sinônimo de neve, para o brasileiro é Bariloche, na Patagônia argentina. A estação de esqui tem tanto brasileiro em julho que é chamada de Brasiloche. Até o esquibunda foi trasladado das dunas de Natal para o Cerro Catedral.
Os argentinos adoram receber os brasileiros, turistas generosos e que gastam mais do que qualquer outro visitante estrangeiro. Os "hermanos" chegam a concordar que Pelé foi maior que Maradona, só para não contrariar o freguês mas, não abrem mão de Messi, "lo mayor de todos los tiempos".
Em 2009, começou uma maré de azar para a exploração turística da patagônica. Primeiro foi o surto de gripe A e, logo em seguida, os transtornos causados pela erupção do vulcão Puyehue, no Chile, que cobriu a região de cinzas, do lado argentino. O aeroporto de Bariloche esteve fechado vários dias e os habitantes da cidade deram um duro para varrer e lavar toda a sujeira. Empresas doaram vassouras, detergentes e outros materiais de limpeza para a gigantesca faxina possível graças ao trabalho somado de crianças, adultos e idosos. Eles agora querem recuperar o tempo perdido e colocam toda a sua estrutura, bons serviços e preços camaradas para receber uns 75 mil brasileiros nesta temporada, que começa em meados de junho. A Aerolíneas Argentinas, a Gol e a Lan vão fazer voos diretos, pelo menos três vezes por semana, saindo de Guarulhos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Há os que preferem aproveitar também Buenos Aires. Através de Ezeiza e do Aeroparque, em 2011, entraram 888.854 visitantes do Brasil. Este ano, espera-se 6% mais. A estação de esqui do Cerro Catedral, a 19 quilômetros do centro da cidade de San Carlo de Bariloche é a maior de toda a América do Sul. Na base da montanha existem 700 leitos em pousadas, dois shoppings, galerias, cassino, farmácias e consultórios médicos especializados em "medicina de montanha"
Na cidade, mais de 5 mil acomodações, desde luxuosíssimos hotéis cinco estrelas a aconchegantes pousadas Quem não tem trajes adequados para enfrentar o frio nem precisa se preocupar. Lá, eles alugam macacões térmicos, luvas e calçados especiais por 25, 30 reais. Há pacotes que já incluem 5 dias de aluguel de roupa especial para a neve (Agaxtur). Equipamentos de esqui e snowboard (de uma prancha única, mais larga) também são alugados. Muitas brasileiras não querem perder o lado "fashion" e comparecem de botas de salto. Inadequadas porque afundam e ficam presas no gelo fofo. Pelo menos cinco escolas de esqui oferecem instrutores licenciados para ensinar a quem nada sabe e até aos que querem se arvorar em competições. Existe um Campeonato Brasileiro, oficializado. No Cerro Catedral são 35 pistas e caminhos somando 120 quilômetros. As várias linhas de teleféricos e 38 meios de elevação por cadeirinhas são capazes de transportar 35 mil pessoas por hora. Não há congestionamentos. Há pistas para principiantes e de diferentes graus de dificuldades. Quem não sabe esquiar não precisa ficar com vergonha. Eles ensinam em poucas horas. A novidade é a pista customizada para brasileiros, com 600 metros de extensão, onde é praticado o esquibunda. São duas pistas de snowtubing, modalidade que lembra o rafting no qual um grupo desce a montanha em botes infláveis ou "boias" gigantes. Muita gente vai só para ter contato com a neve e não tem veleidades de descer as pistas em esquis. Para esses turistas, de qualquer idade, existem os minitrenós que lembram os carrinhos de rolimãs sem as rodinhas. Há ainda os trenós, as motos e as raquetes para andar na neve. Ninguém fica sem o seu "batismo nas neves".
Cerro Campanário
O Cerro Catedral é a maior estação de esqui e a mais completa, mas há outras montanhas a serem visitadas, todas pertinho de Bariloche. Vale à pena visitar o Cerro Campanário, pela vista mais impactante do Parque Nacional Nahuel Huapi e dos seus lagos. Bem no cume do Campanário está uma confeitaria, de ambiente aquecido, onde os frequentadores podem apreciar a paisagem, tomando café expresso ou uma xícara de chocolate quente. De lá se avista os lagos Nahuel Huapi e Perito Moreno, a laguna Trébol, as penínsulas San Pedro y Llao Llao, a Isla Victoria e as montanhas (cerros) Otto, López, Goye, Catedral, Capilla e a cordilheira do entorno de San Carlos de Bariloche. Está a 20 minutos de ônibus do centro de Bariloche.
Cerro Otto
O complexo turístico com um teleférico está só a cinco quilômetros, ou 15 minutos de ônibus da cidade. Há um moderno meio de elevação desde o sopé até o cume, a 800 metros do nível do mar. Os tíquetes estão à venda na Praça do Centro Cívico. A experiência de caminhar na neve com raquetes é única, sempre acompanhado pelos guias que têm a chave do segredo das melhores vistas. No verão funcionam pistas de material sintético. O turista desliza com "boias" infláveis. Lá em cima há uma discoteca, microcine, confeitaria giratória e galeria de arte.