10 de julho de 2026
Nacional

CPI dispensa depoimento de investigados

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Diante da negativa dos investigados em prestar depoimento, a CPI do Cachoeira dispensou da sessão de ontem o ex-sargento da aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, e Jairo Martins de Souza, sargento da Polícia Militar do Distrito Federal.

 

Eles seriam ouvidos em razão da suspeitas de fazerem parte de um esquema de espionagem montado pelo grupo do empresário Carlos Cachoeira, mas utilizaram o direito constitucional de permanecerem calados.

 

Para não repetir o desgaste ocorrido na terça-feira, quando Cachoeira não respondeu a nenhuma questão, a CPI optou por não seguir a sessão. Sem os depoimentos e com um clima tenso entre governistas e oposição, os parlamentares passaram a discutir os próximos passos das investigações.

 

O senador Pedro Taques (PDT-MS) insiste na quebra dos sigilos bancário e fiscal da sede da construtora Delta, no Rio de Janeiro, em razão das suspeitas de que o suposto esquema de corrupção montado no Centro-Oeste possa ter se propagado por todo o país. É uma das principais polêmicas da CPI.

 

Como não havia mais nenhum depoimento marcado para ontem, os parlamentares passaram a discutir em transformar a sessão em reunião administrativa, para discutir a aprovação de novos requerimentos.

 

 

 

STF derruba sigilo 

 

O ministro Ricardo Levandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou ontem o sigilo de grande parte dos documentos do inquérito que apura a ligação do senador Demóstenes Torres com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. 

 

Segundo a decisão, os únicos documentos que permanecem sob sigilo são os arquivos de escutas telefônicas. A decisão do ministro atende em parte o requerimento encaminhado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que queria o fim total do sigilo.

 

Levandowski decidiu também encaminhar à CPMI mais de mil horas de conversas telefônicas das apurações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Os arquivos estão em nove DVDs que integram processo que corre na 11 ª Vara de Justiça de Goiânia. Esses arquivos só poderão ser acessados pelos parlamentares e pelos acusados.

 

 

 

Bloqueio de bens

 

Integrantes da CPI do Cachoeira ingressaram ontem com ação cautelar que pede o bloqueio dos bens da empresa Delta e a nomeação de um interventor judicial para a empresa na Justiça Federal do Distrito Federal.

 

Os senadores Pedro Taques (PDT-MT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) decidiram recorrer à Justiça por considerarem que a CPI paralisou as investigações sobre a empresa. “Estamos acompanhando na CPI um quase acordo para que membros do PT e do PSDB não sejam investigados. 

 

“Eu não participo desse tipo de acordo”, afirmou Taques. A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007. “O objetivo é garantir patrimônio público, já que essa empresa é responsável por grande parte das obras do PAC”, disse Taques.

 

 

 

 

Deputado acusa relator de ser “tchutchuca” com Agnelo

 

Brasília (Folha) - Depois de Michel Teló, surge o “Bonde do Tigrão” na CPI do Cachoeira. Os ânimos se exaltaram ontem depois de o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) ironizar a atuação do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). 

 

Quando o petista Dr. Rosinha (PR) tomou as dores do colega de partido, o tucano ficou de pé, o encarou e ameaçou, com cara de bravo: “Você quer me enfrentar?”.

 

Minutos antes, Francischini criticara Odair Cunha por, segundo ele, direcionar o interrogatório de Wladimir Garcez, suposto braço político do grupo de Carlinhos Cachoeira, para atingir o governador Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e blindar Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal. “Quando fala da Delta Nacional, quando fala do sr. Agnelo Queiroz, o relator é tchutchuca; quando fala do Marconi Perillo ele vira o tigrão. Então nós queremos esse relator macho, que enfrenta tudo”, disse o tucano.