08 de julho de 2026
Geral

Contratar cuidador requer cautela

Tisa Moraes colaborou Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Se contratar um profissional para realizar as tarefas domésticas já não é uma missão fácil, encontrar uma pessoa para cuidar de um ente querido pode ser um desafio ainda maior. Num momento em que as famílias têm delegado cada vez mais a terceiros a atenção aos parentes mais velhos, o cuidador de idosos tem se tornado uma figura presente nas residências.

 

A profissão já é regulamentada no Brasil, mas, mesmo assim, quem precisa deste tipo de serviço ainda enfrenta dificuldades para encontrar a pessoa certa. Recentemente, a aposentada Joana Maria de Almeida Rosa Amaral, 67 anos, passou por muitos transtornos após contratar um casal de cuidadores para acompanhar seu marido João Ferreira do Amaral, 73 anos, que havia passado por tratamento hospitalar.

 

Em menos de um mês de trabalho, valores em dinheiro começaram a desaparecer da casa da aposentada. No último dia em que manteve o serviço, era o cuidador do sexo masculino que estava na residência e cerca de R$ 800,00 desapareceram da bolsa da vítima.

 

“Deixei minha bolsa em cima da mesa, na sala de jantar. Ele ficou andando para lá e para cá”, explica. Joana já havia dispensado o serviço de home care junto à empresa contratada e conta que, neste dia, o cuidador resolveu ir embora. “Fui olhar na bolsa e cadê o dinheiro. Ficou certo que era ele”, lamenta.

 

É claro que situações como esta são exceções à regra, mas para evitar problemas – que podem ser até piores, como agressões e abusos contra os idosos - é preciso cautela na hora de contratar um profissional, já que ele irá integrar a rotina da casa e estabelecer uma relação íntima com o parente, geralmente fragilizado por doenças. 

 

De acordo com Darlene Tendolo, titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social, que oferece cursos para cuidadores em Bauru, o requisito principal para não cair em armadilhas é obter referências do cuidador antes de recebê-lo dentro de casa.

 

“Vale até procurar saber onde a pessoa mora, quais cursos frequentou e onde trabalhou”, enumera. Durante o primeiro contato, também é importante estar atento ao comportamento e modo de falar do profissional, na tentativa de perceber se é uma pessoa afável e paciente.

 

“Antes de mais nada, é preciso ter amor pela profissão. Ser atencioso e ter alguma organização para cumprir a rotina do paciente, respeitando inclusive os horários para administrar todos os remédios”, frisa a cuidadora Adriana de Godoy Giuliano, 41 anos, que trabalha há um ano na profissão. 

 

 

 

Habilidades

 

Porém, mais do que boa vontade, o profissional precisa ser habilitado para atender pacientes idosos. Caso contrário, poderá colocar em risco a saúde do atendido.

 

“Se ele não tiver conhecimento, pode até asfixiar o paciente na hora de dar um medicamento com água ou mesmo fraturar ossos ao movimentá-lo de maneira inadequada. É um trabalho que tem de ser realizado por gente especializada”, cita Darlene, destacando que a capacitação precisa ser feita por meio de cursos oferecidos em várias entidades da cidade, inclusive a própria Sebes.

 

Outras características, como ter força caso o parente tenha dificuldades para se levantar e andar, também precisam ser consideradas. Mas a secretária explica que toda a cautela antes da contratação não deve cessar depois que o profissional for escolhido.

 

É preciso continuar atento a qualquer mudança, mesmo que mínima, no comportamento do idoso, como apatia ou agitação em excesso, emagrecimento, desidratação cutânea ou mesmo marcas ou hematomas pelo corpo. “Como são muito frágeis, muitas vezes eles têm medo de denunciar a violência. Há casos ainda de pacientes que não conseguem nem mesmo falar. Então, é importante estar sempre alerta”, acrescenta. 

 

 

Serviço

 

A quem recorrer:

Para denunciar maus-tratos contra idosos, os contatos em Bauru são: 

Sebes: 3234-1090

Polícia Militar: 190

 

 

Sem solução

 

A aposentada Joana Maria de Almeida Rosa Amaral busca um acordo extrajudicial com a empresa de home care que forneceu o casal de cuidadores para acompanhar o marido dela, João Ferreira do Amaral. Mas, até hoje, segundo ela, não houve negociação.

 

Ao JC, a empresa - que tem sede em São José do Rio Preto e filial em Bauru - informou que o funcionário apontado como autor do furto pertence a uma cooperativa terceirizada e que, portanto, o serviço não poderia se responsabilizar pelo dano financeiro. Segundo o advogado Marcelo Lavezo, o valor furtado foi restituído às vítimas, informação que foi negada pela aposentada.  

 

“Eles não me devolveram nada e eu ainda tive de pagar R$ 3 mil pelo tempo (quase um mês) que eles ficaram na minha casa, sob a ameaça de cobrança de multa”, reclama Joana. Ainda de acordo com ela, a prestadora de serviço teria informado que o cuidador confessou o crime. 

 

A mulher não registrou boletim de ocorrência e reconhece que terá dificuldades em provar sua denúncia. Ela ainda analisa a possibilidade de formalizar a queixa junto à Polícia Civil para a abertura de processo criminal na Justiça.