Teerã - Inspetores da AIEA, agência nuclear da ONU, descobriram no Irã rastros de urânio enriquecido a mais de 20%, num sinal de que Teerã poderia ter violado o limite legal imposto para impedir que chegue aos 90% necessários à bomba atômica.
O governo iraniano também teria dobrado o estoque de urânio purificado em 20%.
As informações estão no último relatório interno da agência, transmitido ontem aos países membros, um dia após mais uma rodada de negociação sem acordo entre o Irã e as grandes potências.
A amostra de urânio mencionada no texto foi colhida pelos inspetores na central de Fordo, construída em 2006 debaixo de uma montanha 90 km ao sul de Teerã.
Exames detectaram enriquecimento a 27%, grau que supera dificuldades iniciais de purificação e permite chegar em meses ao patamar da bomba. O Irã nega querer um arsenal atômico e diz purificar urânio a 19,75% para abastecer em combustível um reator nuclear usado na fabricação de isótopos médicos.
Sem querer
O relatório diz que autoridades iranianas, confrontadas ao resultado da amostra, afirmaram que o enriquecimento “acima da meta” pode ter ocorrido por falha técnica. A tese teve apoio de diplomatas em Viena, sede da agência, e de especialistas. Uma autoridade diplomática disse que partículas enriquecidas a 27% podem ser geradas acidentalmente no início da centrifugação. “Não é necessariamente sinal de que o Irã enriquece (urânio) a níveis acima do declarado”, disse.