09 de julho de 2026
Bairros

Do ofício à arte: talentos da indústria

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Operário e artista são duas profissões distintas, mas que em algumas indústrias da cidade estão mais próximas do que parecem. O show de talentos promovido ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na sede do Serviço Social da Indústria (Sesi) central, provou que, por detrás das engrenagens e pilhas de papéis, existe sensibilidade e artistas a serem descobertos em Bauru.

 

Funcionário de uma gráfica no Distrito Industrial, o bauruense Marcelo de Freitas, 38 anos, é um dos talentos revelados no evento promovido em comemoração ao Dia da Indústria no Sesi.

 

 Há cerca de 14 anos, ele descobriu na arte das pinturas em tela uma maneira de fugir do estresse rotineiro da coordenação das atividades da indústria. “Sempre gostei de arte e quando comecei a pintar encontrei equilíbrio e isso melhorou meu humor. Me deixou mais sensível para entender e analisar os funcionários e as tarefas”, afirma Freitas.

 

Mas o que era para ser uma técnica de relaxamento acabou se transformando em outro ‘ganha pão’. Com mais de 50 quadros concluídos, Freitas comercializa as obras por toda cidade e decora, inclusive, diversas salas da fábrica na qual ele trabalha.

 

Com traços, texturas e cores, vagarosamente Marcelo transforma as telas brancas em pinturas abstratas que revelam sentimentos e sensações como a tristeza, a alegria, a dor e a ansiedade.

 

Em uma de suas últimas obras, que segue em exposição em comemoração aos profissionais da indústria no Sesi, o quadro “Rumos”, segundo o artista, traduziria a dúvida em traços fortes e cores vibrantes e tênues.

 

 

 

Cantando nos Correios

 

“A música me conduz”. Essa frase não foi dita por nenhuma das estrelas do pop, mas saiu da boca de um rapaz de 28 anos, que há oito trabalha no setor de ações sociais dos Correios de Bauru. Bruno Eloy Abate de Oliveira ainda não tem um nome artístico definido, mas nos campeonatos promovidos pelo Sesi de Bauru para revelações da música já foi campeão por dois anos consecutivos. Intérprete de canções como “Sangrando”, de Gonzaguinha, que rendeu ao jovem morador do Núcleo Octávio Rasi, o título do talento musical da Indústria em 2010, Bruno também não tem um estilo musical definido, mas confessa ser um apreciador da Música Popular Brasileira. “A música me faz trabalhar melhor e render mais em meio a pilha de processos”, admite Bruno.

 

Sandra Luciana de Antônio também trabalha nos Correios, mas na sessão de coordenação de telegramas. Aos 41 anos e com espírito de 20, ela esbanja bom humor, talento musical e habilidade com as palavras.

 

Como compositora, a funcionária dos Correios já escreveu mais de 60 canções de diversos estilos.  Até outubro deste ano, Sandra pretende lançar, com recursos próprios, seu primeiro CD, intitulado “Ecléticos”.

 

Há cerca de seis meses, um evento realizado pelos Correios de Bauru reuniu as habilidades Bruno e Sandra, que após se conhecerem, descobriram na música uma parceria de sucesso. “Fazemos duetos alternativos com voz e violão. Juntos, descobrimos novos arranjos vocais para todos os ritmos”, frisa Bruno contando que as músicas entoadas por eles vão desde Elton John à Vitor e Léo. 

 

De vento em popa, a parceria, assim como a carreira individual de Bruno e Sandra, coleciona apresentações da dupla em festas de casamentos, aniversários e outros eventos, como um ganho extra às atividades do dia a dia.

 

“Pena que nem todas as empresas trabalham esse lado humano dos funcionários. Sem dúvida, a música e isso tudo me alegram, dando mais vontade trabalhar”, ressalta Sandra acompanhada por seu parceiro musical.