08 de julho de 2026
Geral

70% das casas não têm bueiro próximo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

 

Fundamentais para o escoamento da água das chuvas, os bueiros estão em falta em Bauru. É esta a realidade constatada pela pesquisa no entorno dos domicílios realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante o Censo 2010, cujos resultados foram divulgados ontem.

 

Conforme o levantamento, 70% dos entrevistados na cidade declararam que não contam com bocas de lobo perto de casa. A ausência do dispositivo afeta 233.013 de um total de 336.374 moradores. 

 

A falta de infraestrutura para drenagem de água é pior do que em cidades de mesmo porte, como Franca, onde os bueiros não existem no entorno de 41% dos domicílios. Já em Piracicaba, 54,3% das casas não contam com o sistema de escoamento. Em São José do Rio Preto, a situação é um pouco pior do que Bauru, com percentual de 72,5% de domicílios sem o equipamento.

 

Os números apenas confirmam o que já é de conhecimento da população: Bauru continua refém de um sistema de galerias ultrapassado, que não acompanhou o ritmo da ocupação desordenada da cidade. Como consequência, em época de chuvas, o cenário de enchentes e estragos se tornou quase um rito de todo verão.

 

“A grande maioria das áreas antigas da cidade tem uma estrutura deficitária em relação à quantidade de chuva. Quanto maior a impermeabilização do solo, maiores precisam ser as galerias e a quantidade de bocas de lobo”, reconhece o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto.

 

São vários os bairros problemáticos da cidade, entre eles a Vila Falcão, Jardim Bela Vista, Centro, Parque União, além de lugares mais novos como Jardim Panorama e Jardim Brasil. “A chuva nesses dois últimos bairros corre toda para a avenida Nações Unidas, onde a gente sofre com o acúmulo excessivo de água”, pontua.

 

Para piorar a situação, a divisão de drenagem da secretaria de Obras não conta com pessoal suficiente para fazer a manutenção dos bueiros existentes. Atualmente, segundo o secretário, há apenas 10 homens para realizar o serviço em toda a cidade. O número, é claro, está bem aquém do mínimo necessário.

 

“Trata-se de uma mão de obra difícil de ser encontrada. O mínimo de profissionais qualificados é absorvido pela construção civil, com quem a prefeitura não consegue competir em termos salariais”, revela Areco.

 

 

 

Sucção a vácuo

 

Recentemente, a prefeitura adquiriu uma máquina de sucção a vácuo, avaliada em R$ 400 mil, que tem a função de desentupir galerias. Mas o equipamento, que tem capacidade para realizar o serviço executado por 10 homens, ainda não foi posto em funcionamento.

 

“Ele é usado em cima de um caminhão, que a prefeitura ainda não dispõe. Fizemos a compra de alguns caminhões mas, por problemas na licitação, o processo está atrasado. Porém, tudo deve estar resolvido dentro de dois meses”, assinala.

 

O entupimento de bueiros motivado pelo escoamento de terra das ruas sem asfalto também são um problema a ser superado. Mas, de acordo coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o investimento no equipamento de sução só foi necessário porque a falta de educação e consciência ambiental da população ainda são grandes. 

 

“(A falta de infraestrutura) é um problema que a população ajuda a agravar. Infelizmente, a gente ainda encontra de tudo dentro das galerias. Desde sacos de lixo e coco verde em grande quantidade até pedaços de eletrodomésticos, computadores e celulares”, pontua.

 

 

 

Cidade ainda busca soluções para drenagem

 

Se substituir o sistema de galerias antigo é um projeto caro demais para ser executado, a prefeitura busca soluções para minimizar os transtornos decorrentes do acúmulo de água em algumas regiões específicas da cidade. Entre 2011 e 2012, o município programou investir R$ 10 milhões em 30 quilômetros de galerias de águas pluviais que serão distribuídas em vários bairros. 

 

Parte delas será instalada em bairros que margeiam o piscinão da Água do Sobrado, onde está projetada a construção de uma avenida. As obras da barragem estão sendo executadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contrapartida municipal. “Haverá uma remodelação em termos de asfalto e galerias em toda a região, que incluem Parque Viaduto, Alto Paraíso e vilas São João, Nova Celina e Nova Paulista, entre outros”, frisa Brito. 

Ele destaca que, mesmo que a construção da avenida demore, o piscinão já terá a função de drenar toda a água da chuva que desemboca no córrego Água do Sobrado e segue em direção à avenida Alfredo Maia, ponto crítico de enchentes em Bauru. “O acúmulo de água naquela região deverá ser amenizado. É algo que deve ocorrer já no próximo verão”, pondera.

 

Outra solução encontrada foi a instalação de pequenas bacias de contenção de água em condomínios da cidade, como é o caso do Residencial Tívoli, Villagios, Ilha de Capri, Quinta Ranieri, Tavano e Chácara Odete. Conhecido como piscininha, o dispositivo retém a água da chuva e o volume é liberado depois, gradativamente, sem causar estragos. “Se não tivesse esta bacia na Quinta Ranieri, por exemplo, quer fica num ponto um pouco mais alto, teríamos tragédias todos os anos no Núcleo Joaquim Guilherme”, frisa.