08 de julho de 2026
Política

PMDB e PT confirmam dobradinha

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A visita de Michel Temer (PMDB) à cidade, ontem, foi motivada pela participação no ato político que ratificou a aliança entre PT e PMDB para a eleição de 7 de outubro, em Bauru. Os discursos do vice-presidente da República e das outras lideranças políticas enfatizaram a reprodução da aliança nacional no âmbito local e pregaram a propagação do que chamaram de projeto político.

 

O evento, realizado no Espaço Bauru, marcou a oficialização da pré-candidatura à reeleição de Rodrigo Agostinho (PMDB), com a manutenção de Estela Almagro (PT) como sua vice. Foi a eles quem Temer se dirigiu no início da sua fala, dizendo que as palmas da militância do PT, do PMDB e de outros partidos da base governista municipal refletiam a aprovação da população à administração.

 

Michel Temer, que também é presidente de honra do PMDB nacional, destacou a força do ato, em razão de seu caráter regional. “Imaginei que só fossem ter pessoas de Bauru”, comentou.

 

O presidente estadual do partido, Baleia Rossi (PMDB), foi o responsável por elencar os representantes de quase 30 municípios da região, entre prefeitos, como o de Agudos, Everton Octaviani (PMDB), e pré-candidatos a prefeituras ou vice de cidades como São Carlos, Jaú e Ourinhos.

 

Temer afirmou ainda que o País evoluiu nos últimos anos e os eleitores, hoje, preferem votar em um projeto político do que em indivíduos. “Os efeitos das mudanças começam nos municípios e isso explica a relevância deste evento”, pontuou.

 

Para justificar os elogios ao governo federal, à presidente Dilma Rousseff (PT) e à administração municipal capitaneada pelo PMDB, Temer elencou a massiva ascensão social para classe C, o aumento do poder de consumo e os programas Minhas Casa Minha Vida e Bolsa Família. “Eles garantem os preceitos constitucionais de que todos têm direito à moradia e alimentação”, defendeu.

 

 

 

Lideranças enaltecem TLemer por dobradinha

 

Os dirigentes partidários do PT e do PMDB colocaram o vice-presidente da República, Michel Temer, como um dos principais protagonistas na articulação política que viabilizou a aliança entre as duas siglas na esfera federal e, principalmente, pela sua extensão a diversos municípios do Estado de São Paulo.

 

A senadora Marta Suplicy (PT) destacou a capacidade de articulação e negociação de Temer, comparando os atributos aos do presidente do Senado, José Sarney, de quem ocupa o papel de vice. “A união com o PMDB possibilitou a continuidade do governo Lula e, agora, queremos expandi-la ainda mais. Onde houver essa aliança, [os municípios] podem nos procurar sempre”, dirigiu aos pré-candidatos dos municípios presentes.

 

Presidente estadual do PT, Edinho Silva afirmou que Temer tem desempenhado papel importante na costura de acordos políticos diante de cenários e momentos difíceis. “Em um ato, em Araraquara, tivemos a primeira conversa nesse sentido. E hoje eu tenho a certeza de que o vice-presidente foi fundamental para a eleição e aprovação recorde do governo Dilma”, pontuou.

 

Baleia Rossi, que comanda o PMDB paulista, ressaltou o papel de liderança de Temer para o crescimento do partido no Estado e disse que o evento de ontem comprova a união junto ao PT. 

 

“O trabalho do nosso vice-presidente fará com que voltemos a ser protagonistas da política em São Paulo. Bauru é um dos grandes exemplos disso, por conta do ‘repeteco’ da aliança, só que ao inverso. Nós vamos caminhar vitoriosos para os quatro cantos do Estado”.

 

 

 

Disputa por Estado

 

Apesar dos discursos e do clima de festa em torno da aliança PMDB-PT, com a promessa de trazer para o Estado de São Paulo a dobradinha do governo federal, os interesses em relação à disputa pelo comando do governo paulista podem ser obstáculos para as siglas. 

 

O mesmo já ocorre na capital, onde os dois partidos possuem pré-candidatos à Prefeitura: Gabriel Chalita (PMDB) e Fernando Haddad (PT). “O mais importante é o compromisso de estarmos juntos no segundo turno”, amenizou Edinho Silva, presidente estadual do PT.

 

Acontece que, para a eleição pelo governo paulista, dominada pelo PSDB há 20 anos, os petistas sempre apresentaram candidaturas próprias e não parecem dispostos a abrir mão disso, apesar do discurso de Edinho. 

 

“As eleições de outubro desse ano serão o parâmetro para tomarmos decisões neste sentido”, pontuou.

 

O presidente do PMDB, porém, foi enfático ao defender a importância no lançamento de candidatura própria a governador pelo partido em 2014, a fim de dar continuidade ao processo de reconstrução da legenda, desestruturada e enfraquecida nos últimos anos sob o comando de Orestes Quércia, falecido em 2010. “Por aqui, a gente pode inverter e o PT indicar o vice para um candidato nosso”, colocou.