Os discursos do prefeito Rodrigo Agostinho e da vice-prefeita Estela Almagro chamara a atenção pelos tons opostos. Estela deu cutucões sutis no prefeito. Rodrigo fez um auto-elogio e foi conciliador.
A petista lembrou das dificuldades no início da articulação da campanha de 2008, quando era dada como certa a vitória do candidato Caio Coube (PSDB). Nesse sentido, ela agradeceu, durante o discurso, Majô Jandreice (PC do B), uma das protagonistas da campanha de Rodrigo e primeira secretária municipal da Educação em sua gestão. “Foi muito difícil convencer os companheiros de que éramos viáveis. Foram várias noites de discussão e Majô ajudou muito a fazer o desenho do nosso projeto”, declarou Estela.
Militantes “leram” o discurso de Almagro com tom de cobrança de lealdade. Isso porque demorou muito para o prefeito e o PMDB confirmaram a manutenção de Estela no posto do vice, diante da ampliação de cinco para 12 no número de siglas partidárias aliadas.
O prefeito comentou o ‘fenômeno’ que atraiu tamanho número de partidos para sua futura coligação. “Tínhamos certeza de que nosso governo tinha que ser de coalisão, pois a cidade perdeu muito com a crise política instaurada em anos anteriores. Por isso, também fazemos questão de conversar sempre com a oposição”, pontuou.
Sem conspirar
Durante o evento, Estela Almagro (PT) e Michel Temer (PMDB) trocaram alguns recados sobre o papel do vice. “Nós temos que articular e negociar pelos corredores. Eu aprendi isso”, afirmou. Na sua vez de falar, o segundo homem da República endossou o discurso da petista. “Vice tem que ser discreto para não parecer que está conspirando”, brincou o peemedebista.
Agostinho tenta avaliar governo
“Nós fizemos a lição de casa”. Foi com essa frase que o prefeito Rodrigo Agostinho tentou definir o sucesso atribuído à sua gestão. Sem considerar o problema crônico da falta de vagas no ensino infantil e os poucos avanços na promoção de saúde básica, o chefe do Executivo enalteceu o desempenho de seu governo na Educação e que, em Bauru, houve uma ‘revolução na Saúde’.
O prefeito também celebrou resultados no setor de infraestrutura, alegando que pavimentou metade das ruas de terra da cidade. No entanto, afirmou que é necessário reconhecer que existem problemas e pendências, como o esgoto que não é tratado na cidade.
‘Esgoto é questão de tempo’
Muita expectativa foi criada em torno da possibilidade de anúncio de recursos para a construção da usina de tratamento de esgoto. O vice-presidente, porém, negou a possibilidade assim que desembarcou no Aeroclube. Como o JC havia adiantado, a liberação desses recursos depende da publicação do edital pelo Ministério das Cidades. O prefeito falou sobre o tema, dizendo que o município não tem condições de tirar dinheiro da educação, saúde e outros setores para investir em saneamento. “Por isso buscamos ajuda e acredito que possamos conseguir o dinheiro até este ano”, repetiu, rememorando uma de suas principais promessas de campanha.
Bauru espera receber, a fundo perdido, cerca de R$ 80 milhões, que serão somados aos mais de R$ 40 milhões já arrecadados pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). “É uma questão de tempo para conseguirmos, pois temos boa contrapartida, área já licenciada e projeto executivo”, pontuou.
Vale lembrar que Bauru é uma das últimas cidades do Estado de São Paulo a não tratar seu esgoto.
Investimentos
Mesmo sem o sonhado tratamento de esgoto, petistas e peemedebistas destacaram investimentos federais na cidade, principalmente na área habitacional. “Muita gente diz que Bauru não recebe recursos de Brasília. Então, precisamos ensinar essas pessoas a fazer contas”, ironizou a vice-prefeita Estela Almagro (PT). Segundo a petista, R$ 1 bilhão já foi investido em Bauru, sendo que R$ 320 milhões foram destinados à construção de imóveis voltados a famílias com renda de até três salários mínimos, pelo programa Minha Casa Minha Vida.