Um palco circular, dotado de um chapéu de carrossel, sob uma cúpula de luzes. Foi neste cenário um tanto lúdico que o músico, poeta e compositor Arnaldo Antunes gravou seu mais novo projeto, “Acústico MTV”. O trabalho, que mistura uma diversidade de estilos e percorre vertentes do MPB e do rock, também transita entre a música, a poesia e as artes visuais.
O disco reúne uma banda formada por Edgard Scandurra, Curumin, Marcelo Jeneci, Betão Aguiar e Chico Salem. A produção musical leva o nome de Liminha e a direção é de Roger Carlomagno. Como convidados especiais, o artista recebe Nina Becker e Moreno Veloso.
Gravado no fim do ano de 2011, mas lançado recentemente na mídia e no mercado, Antunes faz questão de ressaltar que “Acústico MTV” é, na verdade, uma mera coincidência com seus 30 anos de carreira. O repertório transita por temas já gravados com os Titãs, com os Tribalistas, e sucessos de sua trajetória solo. Além disso, há recriações de canções suas gravadas por outros intérpretes.
A canção “A Casa é Sua” foi selecionada como primeiro single do álbum, que encerra com a marcante “Envelhecer”, faixa que reflete a preocupação de Antunes com a chegada de seus mais de 50 anos. “É um tema que chegou por conta de eu estar completando meio século de vida”, diz o compositor, prestes a completar 52 anos.
Antunes não confirma vinda para Bauru, mas diz que a intenção é levar o novo trabalho para a estrada e contemplar o maior número de shows possíveis. Para contar os detalhes do acústico, o músico concedeu entrevista ao JC Cultura. Confira os principais trechos -
JC - Quais as principais músicas deste novo trabalho de 30 anos de carreira?
Arnaldo Antunes - O trabalho não é comemorativo pelos 30 anos de carreira. Foi só uma feliz coincidência. A escolha do repertório foi bem difícil. Eu queria que tivesse um pouco de cada fase da minha carreira. Queria algumas da época do Titãs, outras da carreira solo, outras dos Tribalistas, queria escolher algumas composições próprias que outros artistas gravaram, queria composições de outros artistas e queria canções inéditas. E para sintetizar isso foi um processo bem demorado. Tive ajuda dos músicos da banda e do Liminha, claro. Mas, além de escolher as músicas, a gente teve que testar antes, para saber se elas funcionariam no timbre acústico. Eu queria ter feito, por exemplo, “Alegria” e “Carnavália”, mas foi preciso cortar. Dolorosamente tivemos que tirar.
JC - Conte sobre sua atual fase, que reflete neste disco...
Arnaldo Antunes - Esse trabalho é mais light, menos dançante, claro, mas acho que o rock está bem representado. O trânsito e atritos entre os gêneros musicais não existe pra mim. MPB, rock, pra mim tá tudo misturado. Não tenho uma “fase mais rock”, “fase de mais música leve”. Eu transito bem entre todos os gêneros, entre a música e a poesia e as artes visuais. Sem problemas.
JC - A mídia tem dado destaque para a canção “Envelhecer”. É verdade que essa canção diz muito sobre você? Em que sentido?
Arnaldo Antunes - Diz sobre o processo de envelhecer para qualquer pessoa, mas claro que é uma preocupação para mim. Um tema que chegou por conta de eu estar completando meio século de vida. Fiz a canção quando estava com 49, prestes a completar 50 anos. Agora já vou completar 52 anos e esse é um momento que você pensa no processo e no valor da experiência que a maturidade traz. Mas ao mesmo tempo na possibilidade de conjugar essa experiência com a continuidade de inquietação constante, que traz novidade o tempo todo.
JC - Os trabalhos com Titãs, Tribalistas e carreira solo foram reformulados neste acústico?
Arnaldo Antunes - O convite veio da MTV e gostei bastante da ideia, porque sempre gostei do resultado dos outros artistas dentro desse projeto Acústico MTV. Trata-se de uma revisão da carreira, um apanhado de tudo o que já fiz com uma nova leitura, a chance de ver a carreira como um todo. Um disco assim mostra para a gente que as várias fases da carreira fazem todo sentido. É uma ótima oportunidade de sentir a coerência da estrada, do caminho que percorri. É uma representatividade da carreira com algumas canções da época do Titãs, outras da carreira solo, outras dos Tribalistas.
JC - Como foi a experiência de gravar este trabalho com outros músicos convidados?
Arnaldo Antunes - Além de Edgard Scandurra, parceiro desde seus primeiros trabalhos solo, a banda traz Betão Aguiar, Chico Salem, Marcelo Jeneci e Curumim (bateria). Edgar, por exemplo, toca comigo desde o Iê Iê Iê. É o parceiro mais antigo da minha carreira solo. Fico feliz que ele tenha conseguido seguir comigo, mesmo com todos os seus projetos pessoais. Eu o admiro demais, assim como admiro o trabalho solo de todos os que participaram deste Acústico. Entre as participações especiais estão o trompetista Guizado, o produtor e violonista Liminha e Moreno Veloso, que toca contrabaixo e canta. A cantora carioca Nina Becker é a única presença feminina. Eu não queria repetir o que já tinha feito no Grêmio Recreativo com vários cantores, mas a Nina gravou o Grêmio e o programa não foi ao ar. Achei que valia a presença dela no DVD. Estou muito feliz em ter o Liminha na equipe. É um prazer trabalhar com ele depois de 15 anos.
JC - E há previsões de shows para Bauru e região?
Arnaldo Antunes - O show estreia no meio de maio, quero levá-lo para a estrada, fazer todos os shows possíveis. Eu faço discos para fazer shows.