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Éder Azevedo |
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O estudante Gustavo Souza desenvolve software qie pode ser inovação na luta contra invasões bisbilhoteiras no computador |
Sorria, você está sendo filmado. As famosas plaquinhas com o aviso fixadas ao lado das câmeras em boa parte dos sistemas internos de vídeo-vigilância bem que poderia também estar dentro de nossa casa, ao lado da mesa do computador.
Antes restritos aos filmes de ficção, com invasões mirabolantes de sistema para criminosos concretizarem seus planos e, do outro lado, policiais especializados em cibernética das agências internacionais de investigação no combate aos mesmos, invasões de computadores domésticos para fins nada altruístas são a pura realidade.
“Eu de vez em quando olho o que minha ex-namorada está fazendo”, confessa um advogado de 30 anos, acostumado a pequenas brincadeiras online. “Ela sabe, hoje em dia. De vez em quando digo que a blusa que está vestindo não combina com a cor da calça”, diverte-se ele, garantindo que as invasões em sistema alheio não passam desse tipo de divertimento.
Contudo, as espiadas pela rede costumam render dores de cabeça para os desavisados que, por ventura, atraírem audiência sem saber que são observados. Que o diga a atriz Carolina Dieckman, que, recentemente, viu fotos íntimas caírem na rede depois de ter seu computador pessoal hackeado.
A famosa, assim como milhares de pessoas com o sistema infectado por programas espiões, os spywares, em todo o mundo, caiu numa armadilha camuflada em link enviado por email, um trojan (abreviatura para “cavalo de Troia”, em Inglês), lembra o estudante de ciência da computação Gustavo André Arrabal de Souza.
Cursando o quarto ano de Bacharelado no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, é na ciberguerra contra programas maliciosos que ele apresenta o que pode ser uma importante arma para aumentar a segurança nos sistemas de computadores.
Na forma de trabalho de conclusão de curso, ele desenvolve um software que pretende detectar eventuais invasões quando elas acontecem, uma espécie de alarme que soa no instante em que um espião tenta vasculhar o sistema.
O projeto, observa o aluno, que se autodenomina um entusiasta na área de segurança digital, difere de outros programas já existentes, como os já conhecidos antivírus.
A diferença, especifica Gustavo, é que enquanto os sistemas de detecção sobre intrusão já existentes e comuns no mercado focam o sistema como um todo em ações pontuais de alarme e expulsão, numa avaliação geral de ações invasoras, com um diagnóstico semelhante aos dos programas antivírus, o projeto vislumbra alarmar contra a própria invasão.
“Os programas que a gente encontra no mercado são de detecção de intrusão, não focam no registro do Windows”, detalha.
Vulnerabilidade
De acordo com o autor do projeto, os registros no mais utilizado sistema operacional da Microsoft funcionam como uma espécie de caixa preta do computador. “Tudo o que você faz ele grava”, ensina.
Da mesma forma com que os passos do usuário são registrados, eventuais ataques, salienta ele, também. “Tudo o que foi instalado, com ou sua permissão. O programa em desenvolvimento vai analisar esses registros mais outros arquivos e descobrir se o computador foi ou não invadido”, antecipa.
O estudante, entretanto, não disfarça a ansiedade típica de quem está prestes a entregar um trabalho de conclusão de curso, ainda mais com um tema que pode ser uma arma a mais na guerra cibernética que, a cada dia, beneficia quem está mal intencionado. “Estou meio assustado até, não sei se vou conseguir entregar a tempo”, admite.
Gustavo acredita que a iniciativa facilitaria a vida de leigos, que não possuem conhecimento aprofundado para checar os registros do Windows, os quais, acentua o estudante, nem mesmo a própria Microsoft incentiva a leitura.
“Por si só, a Microsoft recomenda para que ninguém mexa nesses registros. Se você buscar no próprio site da Microsoft você não vai encontrar muita informação”, considera. “Esses registros são arquivos do sistema. Qualquer alteração que você faça ali sem saber direito o que é pode fazer o sistema parar de trabalhar”, alerta. “Por isso ela não incentiva o usuário a mexer nesses registros”, justifica.
Segurança tem a ver com disciplina
Apesar das ameaças, não é necessário ser um expert para proteger a máquina e se livrar de possível visita inconveniente e, muitas vezes, camuflada no sistema ou até mesmo assistindo o que você faz ou deixa de fazer na intimidade do lar.
“Se o usuário possui uma boa atualização do sistema e um antivírus eficiente, resolve”, assegura o professor/doutor Marcos Cavenaghi, da Unesp/Bauru.
No entanto, ele admite, “travessuras” estão mais fáceis de serem feitas, mesmo por quem não tenha tanta intimidade com programas “do mal”.
“Diversos websites trazem muitos trojans. Não é difícil, mesmo para quem não possua grandes conhecimentos técnicos”, avalia.
“Eu entro diariamente no site da Microsoft em busca de atualização, não espero o Windows pedir. É uma atitude proativa, a qual a grande maioria dos usuários não tem”, diferencia.
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