Hoje é Dia do Profissional Liberal nicho produtivo que em Bauru é composto por um “exército” de 10.367 trabalhadores, segundo dados oficiais da Prefeitura de Bauru. Um outro bom tanto atua como liberal, porém de forma informal devido à carga tributária que achata os ganhos financeiros. Alguns segmentos liberais perderam a competitividade numa economia definida pela competitividade e em que eficiência é sinônimo de custos baixos.
O arquiteto Wagner Domingos detalha que o profissional liberal é autônomo, com a diferença de ter curso superior. O profissional liberal tem o perfil de ser alguém decidido e que não vacila em sua opção, porque sabe que será um profissional “sem”. Sem férias, sem 13º, sem participação nos lucros, sem salário. Portanto, o empreendedor “profissional liberal” precisa estar diariamente motivado. A motivação também pode vir dos ganhos maiores, do prazer proporcionado pela atividade profissional e por horários mais flexíveis de trabalho, em comparação a um profissional com carteira assinada, que bate ponto, cumpre horário. Não que um “profissa” liberal trabalhe quando dá vontade. A ralação pode ser até muito maior porque precisa atender às necessidade do cliente que pode aparecer à qualquer hora para uma reunião, querendo discutir algo, precisando de uma orientação ou mesmo cobrando resultado imediatos.
Jogo de cintura e flexibilidade são fundamentais. Tanto quanto estar preparado para dar ou encontrar respostas e soluções. Atualização profissional é imprescindível para advogados, médicos, dentistas, psicólogos, contabilistas, arquitetos, engenheiros, professores, fotógrafos, designers, alfaiates e uma gama infinita de profissionais que ajudam a tocar a vida de cada um dos mais de 370 mil habitantes de Bauru.
Marcelo Garms recebeu sua credencial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), subseção Bauru, em agosto de 2003 iniciando sua carreira na advocacia na especialidade do Direito Civil, atuando em causas relacionadas ao direito do consumidor e de responsabilidade civil. Já o alfaiate bauruense Mauro Ribeiro, profissional que enfrenta a concorrência avassaladora da manufatura industrial, começou a carreira em 1961, jovem aos 25 anos quando começou a alinhavar seus primeiros sonhos. Durante 35 anos consecutivos permaneceu com alfaiataria em um prédio na rua Sete de Setembro esquina com Azarias Leite, região central de Bauru. Por uma questão de competitividade e de foco na profissão, seo Mauro, aos 75 anos, trabalha em casa há 10 anos. Atende clientes que podem se considerar VIPs e os amigos. Não que ele não preste serviço para novos clientes. A realidade de mercado é que o consumidor mudou diante de um mercado da moda que se transformou com as grandes linhas de produção em série que colocaram o preço de certos itens do vestuário masculino lá embaixo. Entretanto, quem precisa estar elegante para sair bem na foto deve procurar um profissional especializado na moda masculina. Já Marcelo Garms também começou cedo trabalhando como estagiário em um importante escritório de advocacia de Bauru ao lado de profissionais respeitados. De tão marcante foi a oportunidade de estar aprendendo com pessoas renomadas, Marcelo gravou o dia que começou a estagiar: “Na profissão, estou desde 2003. Embora já tivesse contato com advocacia desde o início da faculdade porque fazia estágio no escritório do doutor Paulo Lauris. Estou dentro de um escritório de advocacia desde o dia 1 de fevereiro de 1999”. Atualmente, Marcelo Garms leva à frente o escritório da família em sociedade com um primo.
Liberal
O profissional liberal se caracteriza como um prestador de serviços atuando como autônomo. Advogados, jornalistas, dentistas, arquitetos e psicólogos são exemplos de profissionais que podem ser liberais. Eles precisam, para poder trabalhar como profissionais liberais, obter registro de autonomia, que é conseguido na prefeitura do município onde atuam. O profissional liberal pode ainda constituir uma empresa, com finalidade de prestação de serviço, o que implica, no Brasil, fazer um contrato social, registrado em Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.
No caso de atividades em comércio ou indústria o registro é feito na Junta Comercial, o que caracteriza outro tipo de serviço: uma atividade mercantil. Serviço autônomo se diferencia nisso: é prestação de serviço. De oferecer uma habilidade pessoal em troca de um valor em dinheiro. Não fornece produto, fornece mão de obra qualificada
Advogado
Nome: Marcelo Garms
Idade: 32 anos
Estado civil: casado
Profissional liberal desde 2003
“Você tem uma liberdade. Mas a gente tenta sempre seguir um horário predeterminado para as atividades do escritório. Eu tenho por costume ir das 9h até as 19h, para estar dentro do escritório. Porque é um horário que de repente o cliente pode te ligar, dar uma passada. Muitas vezes, o cliente aparece no escritório sem avisar que vai lá. Você acostuma estar ali à disposição. Dentro desse horário, você vai seguir as obrigações de ir ao Fórum para ver um processo e para uma audiência. Mas dentro desse horário, às vezes, você tem a facilidade de ir em um outro compromisso que não tem nada a ver com a profissão. Dias atrás teve uma festinha de Dias das Mães na escolinha e fui lá meia hora, uma hora. Mas é diferente de um profissional que é empregado e que não pode dar uma justificativa dessas para sair do trabalho. Em tenho uma sociedade e sou proprietário de um escritório, que é familiar. Mas quando o cliente chega, eu não posso ficar meia hora e ir embora. Porque senão, o meu sócio vai falar: ‘você não trabalha então eu também não preciso trabalhar’. Daí ninguém trabalha. Quando a gente não tem um trabalho, a gente está estudando algum caso. Lendo alguma reportagem, aprimorando alguma coisa em uma revista jurídica e aprofundando algum estudo. Como pessoa jurídica, na minha opinião, acabo tendo uma certa vantagem. Não pago Imposto de Renda em um valor muito alto. Por outro lado, há outros encargos que acabam equilibrando. Dentro da área do direito, eu vejo que o advogado contratado (CLT) que trabalha nos grandes escritórios acaba tendo uma remuneração um pouco abaixo. Se o advogado que não é empregado trabalhar bem tem condições de ter um rendimento satisfatório.”
Professora de inglês
Nome: Evelise Scott
Idade: 39 anos
Estado civil: solteira
Profissional liberal desde 2007
“Eu era professora de escola. Eu optei em trabalhar em casa justamente para ter uma liberdade de montar os meus horários. Eu atendo no período da tarde e de noite, para ter minhas manhãs livres. Para cuidar da minha casa e dos meus treinos diários que não abro mão da academia. Por conta disso é que consigo ter uma flexibilidade de horário. Eu tenho uma qualidade de vida muito melhor e que supera as desvantagens que um autônomo tem, como as férias. Mas como o meu trabalho é muito prazeroso e nem tenho necessidade de férias. Eu optei justamente porque eu gosto de fazer. Então não é nenhum pesar. Eu atendo um perfil de adulto que é o meu nicho preferido que é de adultos e universitários, que têm mais disponibilidade à tarde e vão para faculdade à noite. À noite, atendo os empresários que têm o dia todo tomado e só resta o período noturno para aprender um idioma. Posso repor uma aula perdida. Tenho um médico, por exemplo, à tarde. Eu desmarco aluno e passo para um dia que tenho maior disponibilidade, consegui repor minha aula semanal e me favoreceu”.
Alfaiate
Nome: Mauro Ribeiro Cabogrosso
Idade: 75 anos
Estado civil: casado
Profissional liberal desde 1961
“Tem cliente que gosta de se vestir bem e dá valor à mão de obra. Tem um ditado que ouvi na Conveção de Alfaiates: ‘Só o alfaiate pode fazer a embalagem completa do corpo humano’. Eu tive alfaitaria 35 anos na cidade. Agora, há 10 anos que trabalho na minha casa. Para aqueles clientes selecionados e meus amigos. O que está influindo é a roupa feita (industrializada). A diferença da mão de obra que é cara em tudo. A indústria facilitou muito em relação à calça. No paletó tem cara que é direito, tem o corcunda, tem o sujeito que tem o ombro caído ou o pescoço alto e ombros altos e todos esses problemas dão defeito no paletó. Hoje, o homem não está vendo mais isso na roupa. Chega á loja, abotoou e ficou. Não olha nos ombros. Até os jornalistas (da TV), você olha no ombro do paletó está empelotado.”
Arquiteto
Nome: Wagner Domingos
Idade: 46 anos
Estado civil: casado
Profissional liberal desde 1986
“O profissional liberal, a gente tem que optar por isso. Tem que gostar mesmo porque você acaba trabalhando muito mais do que se fosse um empregado. Tem que estar disponível sempre e a maioria dos clientes não tem disponibilidade de horário, porque tem uma carga de trabalho a cumprir e você tem que estar disponível ao exceder do horário dele. Tem a liberdade de tirar férias a hora que você quer. Mas férias de 30 dias ou 20 dias, jamais e nunca consigo fazer isso. Nossas férias é de três a quatro dias e aproveitando feriado. Máximo que a gente consegue fazer é tirar uma semana de férias entre o Natal e o Ano-Novo e no Carnaval. Ao passo que se ganha, mas é relativo. Porque você acaba não tendo o rendimento nos momentos que você tem a diversão. A gente precisa ser melhor remunerado.”