08 de julho de 2026
Regional

Festa das Nações: "sabor de solidariedade"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Foi na década de 70 que a então diretora da Escola Técnica do Comércio de Pederneiras Maria Lassalet Maran Navarro chegou de Brasília com uma ideia: fazer uma festa semelhante à que tinha visto por lá. E assim, o evento, que contemplava as várias nacionalidades, foi realizado pela primeira vez em Pederneiras, em 1978. De lá para cá, só coleciona avanços. “Eu fui nomeada secretária. A única da administração de Waldomiro Mateus. Tinha a ideia na cabeça. Chamei as diretoras das escolas e expliquei que eu não queria apenas uma festa de fins lucrativos, mas um evento que fizesse com que os estudantes conhecessem cada uma das nacionalidades presentes na cidade”, relembra. 

 

A então secretária sugeriu que as professoras programassem as pesquisas. “Sugeri que os alunos fizessem entrevistas com os espanhóis, sírios, portugueses, enfim, com cada nacionalidade presente em Pederneiras. Eles deveriam estudar a alimentação deles, suas vestimentas. Até convidarem os representantes de cada nacionalidade para participar.” 

 

Para realizar, a praça central onde está a matriz foi eleita como local mais adequado. “Fizemos um palco e colocamos as barracas em volta. Cabia ao professor de desenho Wilson Ruiz limitar o espaço de cada uma das barracas. Nelas haviam peças típicas cedidas pelos próprios descendetes de espanhóis, italianos, sírios, portugueses e japoneses que moravam na cidade. Colocamos a barraca alemã para ter o chopp que, à época, era uma novidade.” 

 

A feira beneficiava as escolas. “Naquele tempo, as escolas não tinham dinheiro para nada. A arrecadação da Associação dos Pais e Mestres (APM) era muito pequena. A escola apresentava a dança e contava com o faturamento da barraca.” A mobilização da comunidade era grande. “Os imigrantes e seus descendentes ajudavam muito. Eles vendiam, forneciam material para fazer o quibe, esfirras, vestimentas, no caso dos sírios, por exemplo.” Na opinião dela, o evento era completo porque contemplava além da gastronomia a solidariedade e também a cultura. “Tinha a pesquisa sobre as nacionalidades. A feira atual cresceu muito. Está bem montada e guarda uma história interessante. Em uma delas, a escola onde eu era diretora montou a barraca japonesa. Ficou a coisa mais linda. Fomos buscar inspiração no bairro Liberdade, em São Paulo. Trouxemos modelos de flores e de quimonos. Os integrantes da barraca usaram a vestimenta para servir as comidas.” 

 

Ela lembra com saudade de todo o trabalho que a feira exigia. “Eu tinha que carregar as coisas no meu carro. Tinha problemas com a energia e não suportava a sobrecarga. O palco não era adequado e a chuva, em algumas vezes, atrapalhava.” 

 

O pesquisador pederneirense Rinaldo Tousk Razuk, autodidata, confirma as informações da diretora e acrescenta. “Em uma das feiras, teve a barraca norte-americana das escolas de inglês. Essa barraca acabou, até porque não há descendentes aqui. Hoje temos as barracas Brasil/Sul e Brasil/Minas. Tinha um show no meio da praça. O evento durava um final de semana, sempre na semana do aniversário do município.”