08 de julho de 2026
Nacional

Butiques e gestoras vendem fundos


| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Não está contente com as aplicações oferecidas pelo banco? Então procure um supermercado de investimentos. Assim são conhecidas as lojas virtuais que reúnem em uma mesma prateleira fundos, CDBs, previdência privada e produtos de diferentes instituições financeiras.

 

Os supermercados são a maior aposta de corretoras independentes, agentes autônomos e butiques de investimento para ganhar mercado com a redução dos juros e a crescente procura do pequeno investidor por aplicações com maior rentabilidade e menor custo.

 

Na disputa pelo cliente dos grandes bancos, os supermercados, que recebem comissão, usam a internet para obter escala, cortar custos e reduzir o valor da aplicação mínima de fundos e de produtos sofisticados, como as LCIs (Letra de Crédito Imobiliário), que têm isenção de IR e só estavam disponíveis para clientes abastados.

 

Nas corretoras XP e Ativa, há fundos DI com taxas de administração de 0,3% ao ano para aplicações a partir de  R$ 500. Na Mirae, a aplicação mínima é de R$ 5.000.

 

Com essa taxa, um fundo DI rende mais do que o próprio Tesouro Direto, cujos custos de transação começam em 0,4% ao ano.

 

Nos supermercados, os fundos multimercados que batem com folga o CDI (hoje em 8,78%) têm taxas de administração de menos de 1%.

 

A gestora Órama criou fundos com entrada a partir de R$ 5.000 e taxa de administração de 0,6%. Eles funcionam como espelho de produtos de butiques que exigem aplicações iniciais mínimas de R$ 100 mil a R$ 300 mil, como Gávea, JGP, Kondor e Rio Bravo.

 

Chamado de “arquitetura aberta” de investimento, esse modelo de negócio não é comum nos bancos comerciais brasileiros, que só vendem fundos de “marca própria”. Mas é sucesso nos EUA e em grande parte da Europa.

 

Nos EUA, foi popularizado a partir do fim dos anos 1990 pelas corretoras on-line Charles Schwab e Fidelity. 

 

Há 20 anos, a maioria dos americanos também aplicava suas economias em bancos gigantes, como Citibank e Bank of America, além de corretoras como Merrill Lynch.

 

Hoje, 30% dos recursos estão com as corretoras on-line, 35% com os grandes bancos e corretoras e 30% com os gestores de fortunas. 

 

No Brasil, o modelo já foi aprovado pelos clientes de altíssima renda do private bank (gestão de fortuna) de todas as instituições financeiras, que vendem fundos próprios e também da concorrência.

 

 

 

Atenção aos pequenos investidores

 

Além dos supermercados virtuais da XP, da Ativa, da Mirae e da Órama, casas de investimento como Rio Bravo  e Apogeo também aceitam clientes que apliquem ao menos R$ 50 mil em fundos de alta rentabilidade e com taxas de administração menores que em bancos comerciais.

 

Na Rio Bravo e na Apogeo, o investidor pode até dividir os R$ 50 mil em diferentes aplicações. “A atenção dada para quem tem R$ 50 mil e R$ 5 milhões é praticamente a mesma”, afirma Julio Ortiz, diretor da Rio Bravo.

 

“Não tem mais razão para  o pequeno investidor ficar em um banco de varejo que não ofereça fundos e produtos decentes”, diz Guilherme Benchimol, fundador da XP.

 

Tanto nos supermercados como nas butiques, os fundos são produtos com o mesmo risco dos oferecidos pelos grandes bancos. 

 

Apesar de não ter cobertura de até R$ 70 mil do Fundo Garantidor de Créditos, como os depósitos, os fundos têm como garantia os títulos e as ações nos quais aplicam.

 

Entre os grandes bancos, o Citibank é o único a trabalhar com “arquitetura aberta” de investimentos no varejo.

 

Desde 2004, o Citi abriu mão de ter gestora própria de fundos para oferecer aos clientes os produtos de  gestores especializados, como Legg Mason e BlackRock.