A união das companhias aéreas Azul e Trip, anunciada nesta segunda-feira, dará origem a um grupo com receita de 4,2 bilhões de reais neste ano e com cerca de 15 por cento do mercado doméstico de aviação.
"Está nascendo a terceira força da aviação brasileira", afirmou o presidente do Conselho de Administração da Trip, Renan Chieppe, que fará parte do Conselho da holding Azul Trip S.A., a ser presidido por David Neeleman, fundador da Azul.
O acordo entre as duas empresas não envolve desembolso de dinheiro. Os atuais sócios da Azul terão 66 por cento da holding e o restante ficará com os acionistas da Trip.
Segundo Chieppe, a Skywest -que tinha 26 por cento da Trip- saiu da companhia há cerca de uma semana, após a Trip Participações readquirir a fatia por um valor não divulgado.
A formação de uma terceira grande empresa aérea no Brasil para ganhar força frente às líderes TAM e Gol é vista com bons olhos por especialistas. Além disso, uma empresa maior tem mais condições de reduzir custos, o que atualmente é o principal entrave para todo o setor.
"Aumentamos o número de grandes 'players'. Um terceiro seria importante, porque apesar de as empresas já existirem, as participações são muito fracionadas", afirmou o professor Paulo Resende, especialista em transportes da Fundação Dom Cabral.
"Azul e Trip juntas terão poder de escala, volume e podem trazer uma concorrência interessante em questão de tarifas e malhas aéreas", acrescentou Resende.
As sinergias com a fusão de Azul e Trip não foram divulgadas pelos seus principais executivos, que descartaram demissões de tripulantes e funcionários de solo.