11 de julho de 2026
Internacional

Governo da Síria acusa ?militantes islâmicos? por massacre em Houla


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Damasco - O Ministério de Relações Exteriores da Síria enviou uma carta ontem ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) culpando militantes islâmicos pelas 108 mortes na cidade de Houla, na região central do país, na última sexta-feira.

 

Na carta ao Conselho de Segurança, o regime sírio afirma que o Exército do país está “em estado de legítima defesa contra grupos terroristas armados”. Segundo representantes do governo de Bashar al Assad, centenas de homens armados disseram ter cometido o ataque.

 

O regime aponta o uso de facas como indício para a presença de militantes islâmicos entre os responsáveis pela morte das 108 pessoas. A carta foi enviada ao órgão da ONU e publicada pela agência estatal de notícias Sana.

 

Mais cedo, governos árabes e ocidentais contrários a Assad culparam o governo sírio pelas mortes em Houla. Rússia e China, que vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança propondo ações mais incisivas contra o regime sírio, condenaram o massacre, mas sem atribuí-lo diretamente às forças de Assad.

 

“A China se sente profundamente chocada pelo grande número de vítimas civis em Houla, e condena nos mais duros termos as cruéis mortes de cidadãos ordinários, especialmente mulheres e crianças”, disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa.

 

O Conselho de Segurança “condenou nos mais duros termos as mortes, confirmadas por observadores da ONU, de dezenas de homens, mulheres e crianças, e o ferimento de centenas de outros em ataques que envolveram uma série de disparos de artilharia e tanques do governo contra um bairro residencial”, disse a declaração da ONU, que não tem o mesmo valor de uma resolução de cumprimento obrigatório.

 

“Tal uso ultrajante da força contra a população civil constitui uma violação da lei internacional aplicável e dos compromissos do governo sírio conforme as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, acrescentou o texto.

 

 

Enviado

 

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, desembarcou em Damasco e irá se reunir amanhã com o ditador Bashar al Assad.

 

Apesar da presença de Annan e de observadores, ativistas sírios disseram que as forças do regime sírio atacaram a cidade de Hama e causaram a morte de pelo menos 41 pessoas.

 

Fontes da oposição disseram que tanques e blindados sírios abriram fogo ontem em vários bairros de Hama, depois de ataques cometidos por rebeldes do ELS (Exército Sírio Livre) contra bloqueios viários e outras posições do governo. 

 

Em nota, o Conselho da Liderança da Revolução em Hama disse que “disparos de tanques derrubaram vários edifícios. Seus moradores foram retirados dos escombros”. A nota disse que havia cinco mulheres entre os mortos.

 

Os ativistas da oposição disseram que as forças de Assad bombardearam Houla depois de um protesto, e então entraram em confronto com membros da insurgência sunita que tenta derrubar Assad, membro da seita minoritária alauita.

 

 

 

Jornalista brasileiro 

 

O jornalista brasileiro Klester Cavalcanti, já se encontra em Beirute, no Líbano. Ele chegou à capital libanesa, depois do Itamaraty ter negociado sua saída do país com as autoridades sírias.

 

o jornalista foi preso e libertado na Síria, mas continuava sob vigilância do governo, segundo informações. Cavalcanti estava na Síria pela revista “IstoÉ!”.

 

Cavalcanti é autor de vários livros e ganhou por duas vezes, em 2005 e 2007, o Prêmio Jabuti de Literatura.