08 de julho de 2026
Nacional

Rota mata 6 e testemunha vê execução


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São Paulo - Pela primeira vez na história, três policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foram presos em flagrante sob a acusação de homicídio. Eles são acusados de executar um homem detido após tiroteio na região da Penha, zona leste de São Paulo. No confronto, segundo a Rota, mais cinco pessoas morreram, três foram presas e outras cinco conseguiram escapar. Todos seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estavam com fuzis, submetralhadoras, pistolas e revólveres.

 

A ação dos policiais militares começou na noite de anteontem, depois que – supostamente por um telefonema anônimo direto para o quartel – eles descobriram que integrantes do PCC se encontrariam em um estacionamento na Rua Osvaldo Sobreira, ao lado de um bar e perto da Favela Tiquatira, na zona leste. Quando chegaram ao lugar, 26 policiais da Rota disseram que foram recebidos a bala pelos bandidos – cinco deles perceberam a aproximação da polícia e fugiram em um carro branco.

 

Marcas de tiro e de sangue podiam ser vistas na tarde de ontem em paredes perto do local. Ali, cinco homens teriam morrido no confronto. Duas mulheres e um homem foram presos. Um quarto acusado também foi detido e colocado dentro de uma viatura da Rota pelo sargento Nogueira, pelo cabo Cosme Levi e pelo soldado Aparecido. No meio do caminho, foi espancado e executado, segundo relatou à polícia – em tempo real – uma testemunha do caso.

 

A investigação ficará a cargo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Para o diretor do órgão, Jorge Carrasco, a ação da Rota contra os suspeitos no estacionamento foi legítima e apenas a morte de um deles seria decorrente de um “crime doloso contra a vida” (homicídio intencional). Foi pedida prisão preventiva dos acusados, que ficarão à disposição da Justiça no Presídio Militar Romão Gomes. “É importante dizer que foi a própria PM que fez as prisões”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.

 

Para entidades de defesa dos direitos humanos, ações como a de anteontem são recorrentes. “A única novidade nesse caso foi a prisão em flagrante”, afirmou Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.