09 de julho de 2026
Política

Empresa admite problema no ringue

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Noticiada ontem pelo Jornal da Cidade, a desconformidade entre o ringue de boxe adquirido pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e as especificações do edital de licitação foi confirmada pela empresa fabricante do equipamento em pelo menos em um item. Apesar disso, o atual titular da pasta, Roger Barude, diz que o equipamento não tem problema, uma tentativa de defender a regularidade na compra do material esportivo.

 

Proprietário da Sportin, de São Bernardo do Campo, Paulo Carvalho admitiu à reportagem que, em pelo mesmo um item, o produto entregue não obedecia aos critérios do edital. Trata-se do revestimento das cordas, que deveria se composto por isotubo e curvim. “Esses materiais estavam em falta na época. Utilizamos o revestimento de espuma e um laminado plástico chamado capê que, por sinal, tem resistência superior”, afirmou.

 

 

Apesar disso, Carvalho alegou que o ringue entregue está dentro das normas técnicas exigidas para competições oficiais, mas que, caso seja necessário, a empresa está disposta a promover a troca. Ele negou ainda que o material utilizado tenha custo inferior ao pedido pelo edital.

 

A Sportin, no entanto, não foi a empresa contratada pela Semel, pois é a fabricante do ringue. Porém, foi a esta empresa que o treinador da equipe de boxe Leões do Ringue, Marcos Pantaleão, entrou em contato, por e-mail, em março deste ano, para relatar os problemas constatados por ele, autor das denúncias vinculadas anteontem por reportagem da TV Câmara.

 

Paulo Carvalho disse ainda que respondeu verbalmente aos contatos por e-mail de Marcos Pantaleão. O treinador, porém, afirmara, anteontem, que não obtivera retorno da empresa. “Sempre nos colocamos à disposição para solucionar os problemas”, pontuou.

 

 

 

Contratada não sabia

 

A vencedora da licitação para a venda do ringue à Semel foi a Muque Sports, de São Paulo. O proprietário Juliano B. M. de Carvalho, porém, afirmou que nunca foi informado sobre eventuais problemas no equipamento entregue, já que o contato de Marcos Pantaleão foi feito diretamente à empresa fabricante. “Pensei que já estivessem até usando o ringue”, comentou.

 

Juliano explicou que o equipamento não passa por inspeção de sua empresa, pois sai do fabricante e é diretamente entregue ao comprador. 

 

No entanto, afirmou que vai entrar em contato com a Semel para enviar um representante da Muque a Bauru para a averiguação das denúncias.

 

 

 

Secretário descarta sindicância, mas Jurídico acha necessário a apuração 

 

Possibilidade considerada na edição de ontem pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), uma sindicância para apurar o caso é considerada desnecessária pelo secretário municipal de Esportes, Roger Barude. Ele voltou a afirmar que não há diferenças entre o material entregue em relação ao que é previsto pelo edital.

 

Segundo Barude, servidores da Semel se encarregaram de fazer esta conferência. No entanto, o próprio prefeito admitira que o pessoal da secretaria não tinha capacitação para tal serviço.

 

Mas, ontem, o titular do Jurídico Municipal, Maurício Porto, apontou pela necessidade de apuração administrativa das circunstâncias para o recebimento do equipamento. “A legislação aponta para o recebimento provisório e não definitivo. Também será necessário verificar como se deu o recebimento do item e quem realizou a conferência do equipamento, o que permitiu o pagamento do bem”, cita.

 

O secretário da Semel afirmou que uma nova checagem deverá ser feita pelos funcionários da pasta. Mas Barude sequer havia entrado em contato com a empresa fornecedora do ringue. “Não foi necessário. Se alguma desconformidade for constatada, farei isso”, pontuou.

 

O secretário negou ainda que tenham sido feitos apontamentos por Marcos Pantaleão. “Estavam faltando alguns itens, mas entramos em contato com a empresa e ela explicou que é de praxe que materiais mais caros, como a lona, sejam entregues apenas quando o ringue é montado”, afirmou.

 

 

 

Federação vai averiguar

 

Foram providenciadas ontem as medições e fotografias do ringue. O material será enviado para a Federação de Boxe, que vai atestar ou não as conformidades com os padrões oficiais. O chefe do Comitê dos Jogos Abertos do Interior, Maurício Lisboa, é o interlocutor do procedimento.

 

Junto de três fiscais da Secretaria do Estado de Esporte, Lisboa esteve em Bauru ontem para fiscalizar a situação dos ginásios particulares que serão utilizados durante as competições em novembro. Questionado pela reportagem, ele afirmou que, aparentemente, o boxe está dentro dos padrões, mas, diante das dúvidas levantadas, recorreu à Federação de Boxe.

 

O ex-coordenador de boxe da Semel, autor das denúncias, Marcos Pantaleão está, há meses, rompido com pasta e ameaça que sua equipe dispute os Jogos Abertos defendendo a bandeira de outro município. Além do problema com as cordas, o treinador afirmou que as estruturas colocadas nos cantos do ringue (corners) também não são adequadas para garantir a sustentação dos atletas. 

 

O técnico afirmou ainda que a camada de EVA, material emborrachado colocado sobre o tatame deveria ter, pelo menos, 10 milímetros de espessura. Mas o material entregue não chega a cinco. Além disso, a lona que deveria cobrir o equipamento deixa expostas as laterais de ferragem do ringue.

 

O equipamento, recebido em 14 de março e montado há 10 dias, nunca foi utilizado. Segundo Barude, a Semel está montando escalas para utilização do ringue entre atletas de outras modalidades.

 

Armado na Praça Paradesportiva, o ringue ainda será desmontado para ser transportado ao ginásio Darcy César Improta, que vai sediar as lutas de boxes durante os Jogos Abertos do Interior. “Colocamos primeiro na praça para dar mais visibilidade ao atleta e aos treinos”, pontuou Barude. Ele garante que, mesmo com as laterais abertas do local, o ringue não está exposto a chuvas e outros fatores que possam depreciá-lo.