09 de julho de 2026
Nacional

CPI aprova convocação de governadores

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Um racha na base aliada fez com que a CPI do Cachoeira aprovasse ontem a convocação dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF).

 

O depoimento de Perillo foi aprovado por unanimidade. Já o pedido para ouvir Sérgio Cabral (PMDB-RJ) foi rejeitado pela comissão.

 

O PMDB, principal aliado do PT na coalizão governista, articulou os 16 votos favoráveis à convocação de Agnelo, com o apoio de PP, PR, PSC, PSB, PDT e da oposição, que tem minoria na CPI. Outros 12 parlamentares votaram contra a convocação.

 

A CPI não marcou data para ouvir os governadores.

 

Segundo a Polícia Federal, Perillo recebeu R$ 1,4 milhão de Carlinhos Cachoeira, pela venda de uma casa, e nomeou funcionários em seu governo a pedido do empresário, preso desde fevereiro sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal.

 

Agnelo, segundo as investigações da PF, também teve assessores corrompidos pelo grupo de Cachoeira. Tanto o petista quanto o tucano negam irregularidades.

 

A articulação do PMDB foi interpretada no PT como um troco pelo fato de o partido, que tem o relator e o vice-presidente da CPI, ter apoiado no dia anterior a ampliação da quebra dos sigilos fiscal e bancário da empreiteira Delta - suspeita de se beneficiar da relação de um de seus diretores com Cachoeira.

 

Vários políticos da cúpula do PMDB são próximos a Fernando Cavendish, presidente licenciado da construtora. “Precisamos fazer os ajustes com o PMDB”, disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP).

 

 

 

Cabral

 

No caso do governador do Rio, foram 17 votos contrários à sua convocação e 11 favoráveis. Os tucanos deram três dos seus cinco votos contra a vinda de Cabral, atendendo a um apelo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), amigo do governador fluminense.

 

PT e PMDB votaram fechados para blindar o governador. Ele teve sua relação com Cavendish, da Delta, exposta em fotos tiradas em Paris.

 

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), flagrado há alguns dias mandando torpedo para Cabral no qual disse “você é nosso e nós somos teu”, se ausentou na votação.

 

No final, o relator, Odair Cunha (PT-MG), justificou as decisões da CPI. “Há indícios mais contundentes no que diz respeito aos dois governadores (Agnelo e Perillo). É claro que há nível diferente de envolvimento com a organização criminosa. O governador Perillo é muito mais evidente, o Agnelo é menos”.

 

O governador do Rio, Sérgio Cabral afirmou na manhã de ontem que não temia ser convocado para depor na CPI do Cachoeira.

 

Pela primeira vez, Cabral comentou as críticas pela relação próxima com fornecedores do Estado reveladas por fotos feitas em Paris, em 2009.

 

Ele disse não misturar as relações pessoais com a atividade pública e afirmou considerar “desrespeitosas as ilações feitas”. “Estou muito tranquilo com a minha atuação à frente do Estado. 

 

Nosso governo agiu com autonomia dos secretários para nomear auxiliares e tomar decisões administrativas. A impessoalidade marcou meu governo. Jamais qualquer secretário recebeu pedido para nomear alguém ou contratar determinada empresa”, disse Cabral.