08 de julho de 2026
Geral

Alta do dólar derruba emissões de passaporte

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

O casal de advogados Renato Arruda, 35 anos, e Amanda Barbosa de Arruda, 33 anos, farão em breve sua primeira viagem internacional. Em novembro, eles partem de Bauru para os Estados Unidos, onde irão conhecer a Disneylândia, em Orlando, e visitar centros de compras em Miami. Para tanto, retiraram nesta semana o primeiro passaporte de suas vidas. 

 

Mas Renato e Amanda estão se tornando uma exceção à regra. Com a alta do dólar - que voltou à casa dos R$ 2,00 ontem - cada vez menos pessoas têm procurado a Delegacia da Polícia Federal (PF) em Bauru para obter ou renovar o documento, exigido para o ingresso de estrangeiros em quase todos os países do mundo. 

 

Como a variação da moeda americana está interferindo diretamente no custo da maioria dos destinos internacionais, o número de passaportes emitidos na cidade caiu 19% em maio. Segundo dados da PF, neste mês foram confeccionados 1.006 documentos em Bauru, ante os 1.242 expedidos em maio de 2011.

 

De acordo com Marcelo Fernandes, coordenador de uma agência de viagens da cidade, a elevação do dólar frente ao Real deixou as viagens até 17% mais caras. Para uma família de quatro pessoas, por exemplo, o gasto extra apenas com passagens pode chegar a até R$ 2 mil. 

 

“E está mais caro viajar não apenas para os países onde a moeda corrente é o dólar. Todos os pacotes são negociados em dólar na América do Sul, por exemplo. Se o cliente for comprar apenas passagem aérea e hospedagem para a Europa, também pagará em dólar”, frisa.

 

Por sorte, Renato e Amanda já haviam comprado a passagem para os Estados Unidos há cerca de 40 dias, antes de a moeda americana chegar a R$ 2,00. O problema é que, em breve, ainda terão de arcar com custos com o visto, hospedagem e alimentação, além das compras que Amanda pretende fazer em Miami.

 

“Primeiro vamos fazer o visto para, depois, decidir quando vamos negociar com os hotéis. Isso deve acontecer em julho, mais ou menos. Espero que, até lá, o dólar tenha caído um pouco. Mas, de qualquer maneira, não vamos desistir. É uma viagem que a gente sempre quis fazer”, pondera Renato.

 

 

 

Planos frustrados

 

Assim como o casal, o coordenador Marcelo Fernandes afirma que a maioria dos turistas tem preferido esperar antes de fechar negócio. Gerente de outra agência de turismo de Bauru, Márcia Villaça confirma o fenômeno e revela que apenas clientes das classes A e B não abrem mão de viajar, mesmo com o câmbio desfavorável.

 

“São pessoas que planejaram gastar R$ 10 mil e, de repente, terão de desembolsar R$ 11 mil. Para elas, este acréscimo não faz a mínima diferença”, cita. Mas, para o cidadão comum, a conta que extrapola o orçamento inicialmente previsto pode frustrar todos os planos de viagem. 

 

Para se ter uma ideia, na agência em que Márcia trabalha, a redução no volume de negócios já chega a 40% neste mês. De acordo com ela, nesta época do ano os passeios mais procurados são para locais onde neva, como Bariloche, na Argentina, e onde faz calor, como Orlando, nos Estados Unidos, Cancun, no México, e Punta Cana, na República Dominicana. 

 

“Geralmente, são famílias que querem aproveitar o período de férias, em julho. Com a alta do dólar, algumas acabam optando por viajar para o Nordeste, em resorts mais tranquilos em Porto de Galinhas (Pernambuco), Maceió (Alagoas) ou Morro de São Paulo (Bahia). Mas a maioria decide mesmo adiar, porque já havia planejado fazer a viagem para fora do país”, comenta. 

 

 

 

Em compasso de espera

 

O técnico de qualidade Juliano Capaz, 32 anos, e sua esposa, a advogada Glauce Molina, 32 anos, já solicitaram seus passaportes junto à Delegacia da Polícia Federal (PF), mas ainda não sabem quando irão viajar. Após cinco anos casados, eles pretendem fazer uma segunda lua-de-mel na Europa, para conhecer pontos turísticos de alguns países, em especial, a Itália.

 

“A ideia é fazer a viagem no ano que vem, mas ainda não começamos a pesquisar preços. Fizemos o passaporte somente para adiantar o processo”, comenta Juliano, que torce para que os pacotes fiquem mais em conta até lá. “De qualquer forma, teremos de parcelar o valor da viagem, mas seria ótimo se ficassem mais baratos”, completa Glauce.

 

O casal de aposentados Alda Maria Genovese Santos, 67 anos, José Azélio Santos, 73 anos, também decidiu se antecipar e solicitou os passaportes à Polícia Federal antes mesmo de planejar a viagem que pretendem fazer à Suíça. A filha caçula deles mudou-se para o país há cerca de 20 dias e, para matar a saudade, a intenção é voar com destino ao “berço da civilização” até o início de 2013.

 

“Ela foi embora para acompanhar o marido, que deve ficar por uns três anos trabalhando por lá. Vamos aproveitar a oportunidade para conhecer a Suíça e, quem sabe, outros países da Europa”, destaca Alda.

 

 

 

Queda na procura agiliza trâmites na sede da DPF

 

Com a queda na procura por passaportes, a emissão de documentos pelo setor responsável na Delegacia da Polícia Federal (DPF) de Bauru foi agilizada. De acordo com José Roberto de Oliveira, gestor do núcleo de emissão de passaportes da delegacia, o processo completo – do preenchimento do primeiro formulário à entrega do documento – costuma demorar, no máximo, 40 dias.

 

Em casos de urgência, no entanto, este prazo pode ser reduzido para até 48 horas. “Antigamente, a demora podia chegar a mais de três meses. Hoje, percebemos que os horários disponíveis para o agendamento na delegacia demoram mais para serem preenchidos. A demanda realmente diminuiu”, aponta.

 

O horário de atendimento no setor é das 8h às 12h e das 14 às 18h. Para requerer o passaporte, é preciso acessar o site da Polícia Federal (www.dpf.gov.br), preencher um formulário, agendar horário na delegacia e pagar a Guia de Recolhimento da União em uma agência bancária. 

 

Depois, basta comparecer ao setor de passaportes na data marcada portando documentos pessoais para a coleta de assinatura, foto e digitais. Após este procedimento, o passaporte poderá ser retirado em até seis dias úteis.