08 de julho de 2026
Internacional

EUA: regime sírio mente sobre massacre

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Damasco - A embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, acusou o regime sírio de “mentir descaradamente” sobre a autoria do massacre de Houla, em que 108 pessoas morreram, na última sexta-feira. “Trata-se de outra mentira descarada. Não há nenhuma prova objetiva que apoie essa interpretação dos acontecimentos, tampouco dentro da versão documentada pelos observadores da ONU sobre o terreno”, afirmou Rice, após sair de uma reunião do Conselho de Segurança.

A diplomata disse que o uso de artilharia pesada e de milícias nas mortes dos civis em Houla “não deixam dúvidas” sobre o que aconteceu e que pedirá uma investigação ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Rice também pediu maior pressão de Rússia e China sobre o ditador Bashar al Assad e se referiu à chegada de um barco russo com armas para a Síria. “Deve-se condenar que as armas continuem chegando a um regime que continua usando uma força horrível e desproporcional contra seu povo”.

 

“Grupos armados”

Mais cedo, o general Kassem Jamaleddine, chefe da comissão que investigou o massacre de Houla, afirmou que a ação foi cometida por “grupos armados”, de acordo com resultados de investigações preliminares das autoridades sírias.

“Grupos armados assassinaram famílias pacíficas”, anunciou Jamaleddine, durante uma coletiva de imprensa, afirmando que essas famílias “haviam recusado a se colocar contra o governo e não concordavam com os grupos armados”, referindo-se à oposição armada que combate as tropas do governo.

Ele afirmou que “entre 600 e 800 homens armados, vindos de regiões vizinhas de Houla, começaram a atacar a região e as tropas governamentais”.

O general ressaltou que em momento algum o Exército entrou em Taldo, localidade onde foi assassinada a maior parte das 108 vítimas, entre elas cerca de 50 crianças, segundo a ONU.

“O local onde foi praticado o massacre é uma área onde há grupos armados. As tropas do governo não entraram nem antes nem depois”, acrescentou o investigador.

O massacre “não foi causado por bombardeios” do Exército regular, prosseguiu o chefe da comissão, afirmando que os corpos não tinham marcas de queimaduras.

Um alto funcionário das Nações Unidas declarou na terça-feira que existia uma “forte suspeita” do envolvimento dos “shabbiha”, milicianos pró-regime, no massacre de Houla.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, expôs ontem argumentos contra a intervenção armada na Síria, apesar do massacre da semana passada na cidade de Houla.

Em evento com estudantes dinamarqueses, Hillary foi alvo de perguntas difíceis sobre o que poderia motivar os Estados Unidos e outras nações a realizarem uma ação militar na Síria.

 

Temor da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou ontem que massacres de civis como o que aconteceu em Houla podem mergulhar a Síria em uma guerra civil.

Ban citou temores levantados na terça-feira por Kofi Annan, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, de que a Síria já vive um “ponto de virada” a caminho de uma guerra civil após o massacre.