08 de julho de 2026
Polícia

Pecuarista é morto com golpe na cabeça

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Seria mais uma entrega rotineira de sacas de milho na propriedade de Luís Gonçalves da Silva, 65 anos, localizada na estrada vicinal Barra Grande, no bairro Rio Verde,  zona rural de Bauru, próximo ao distrito de Tibiriçá. Porém, os dois lavradores tiveram uma desagradável surpresa quando chegaram ao local: o pecuarista estava caído já sem vida na porta do seu imóvel.

A Polícia Militar (PM) foi acionada. Como Luís da Silva, bastante conhecido na cidade como “Luizão Babão”, morava sozinho, foi aventada logo a possibilidade de morte natural. Porém, não foi o que ocorreu. Pouco depois, pela posição do corpo e da área onde as lesões estavam, foi confirmado que alguém fora responsável pela morte do homem.

“Ele estava caído com a barriga para baixo e as lesões eram na parte de trás da cabeça. Pelos exames preliminares feitos no local, as lesões foram na parte posterior da cabeça e da orelha esquerda. Foi provavelmente um golpe com um pedaço de madeira”, conta o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

A pancada foi tão forte que, de acordo com o delegado, havia projeção de sangue pela parede. Apesar de as investigações estarem em estágio bastante inicial, a Polícia Civil não tem dúvidas: o caso foi homicídio ou latrocínio, que é o roubo seguido de morte (leia mais abaixo). E as investigações não descartam ainda que o autor do crime seja algum conhecido da vítima.

“Pelo modo como o corpo estava, estamos seguindo duas linhas: a primeira é que alguém invadiu e pegou a vítima desprevenida. A segunda hipótese é que ele conhecia o autor e, quando virou de costas, foi atingido”, complementa.

A Polícia Científica foi até ao local e realizou a perícia técnica. Enquanto os policiais e vizinhos estavam na propriedade, os familiares da vítima chegaram. A comoção foi geral.

Dentro da propriedade, os policiais não encontraram quaisquer sinais de luta. Entretanto, a hipótese de latrocínio foi levantada porque Luís da Silva guardaria frequentemente quantias relativas de dinheiro em sua residência. “Ele foi descrito como uma pessoa bastante simples. Quase não usava bancos. Então, tudo que ele obtinha da venda do gado era guardado em sua casa”, completa Kleber Granja.


Informações

De acordo com o boletim de ocorrência (BO), que foi registrado como homicídio qualificado, foram apreendidas algumas anotações e um registro bancário. Segundo um vizinho, por volta das 7h30 da manhã, foi visto um utilitário branco na propriedade.

Ainda ontem, a DIG fez diligências pela área e conversou com os familiares e moradores das proximidades. “Já estamos seguindo uma linha, porém, as pistas ainda são escassas”, limitou-se a dizer o titular da unidade especializada.  

Por conta desta carência de pistas, não existem suspeitos até agora. Assim, Kleber Granja explica que a investigação precisa do auxílio da população. “Estamos trabalhando, porém, realmente, precisamos de informações para avançar. Quem tiver qualquer coisa, pode nos procurar. Garantimos o sigilo da fonte”, destaca o delegado Kleber Granja.

As informações podem ser passada diretamente para a DIG no (14) 3224-3090 ou também pelo Disque Denúncia da Polícia Civil, por meio do telefone 181.

O corpo de Luís Gonçalves da Silva começou a ser velado ontem por volta das 20h na Funerária Terra Branca. O sepultamento será hoje, no Cemitério São Benedito, em Bauru. Até o fechamento desta edição não havia sido divulgado o horário.

 

Lacunas impedem conclusão sobre tipo de crime: homicídio ou latrocínio

O encontro do corpo de Luís Gonçalves da Silva, 65 anos, marcou uma tragédia para a família da vítima e o início de mais um complexo quebra-cabeça para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Mesmo a Polícia Civil “fechando“ o crime entre latrocínio ou homicídio, há traços nebulosos para ambas as hipóteses.

O principal empecilho para um provável homicídio é o passado “limpo” da vítima. “Pelo que apuramos, ele não tinha problemas com ninguém. Era um homem bastante pacato e querido. Como ele não tinha inimigos, é difícil traçar um motivo para o crime”, relata.

Já para o latrocínio, existem outras lacunas. Apesar de a vítima guardar grandes quantias em casa, o dinheiro não foi encontrado pela polícia. Este fato embasaria a tese de latrocínio, porém, é, ao mesmo tempo, um fator que deixa a hipótese ainda mais nebulosa. “Dizem que ele escondia muito bem o dinheiro. Na casa, não havia qualquer sinal de que alguém procurou algo. Nada estava revirado”, conta o titular da DIG.

Ele ainda afirma que, como os familiares estavam muito abalados com o ocorrido, não foram realizadas buscas para localizar o dinheiro. “A família disse que vai procurar. Todos têm absoluta certeza que alguém o matou”.

Outro fato que diverge da hipótese de latrocínio é que, na carteira da vítima, havia cerca de R$ 183,00. O delegado Kleber Granja aponta que é bastante estranho o fato de este valor não ter sido levado pelo autor do crime. “Assim, por conta destes fatos, não podemos dizer se foi homicídio ou latrocínio”, conclui.