08 de julho de 2026
Nacional

J&F desiste de comprar a Delta

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília -Três dias depois de a CPI do Cachoeira ampliar a quebra dos sigilos fiscal, financeiro e bancário da empreiteira Delta, a holding J&F anunciou ontem que desistiu da compra da empresa. O presidente do grupo J&F, Joesley Batista, afirmou que a decisão se deve a “uma crise de confiança da Delta”, pois ela ficará sob suspeição durante as investigações.

“O sigilo nacional quebrado em si não é o ponto. O ponto é a prolongação e o que isso significa. A empresa vai se manter sob suspeita por mais um, dois, dez meses”, disse. “Estávamos avaliando uma empresa saudável, que estava preparada para passar por um tipo de tempestade, que era se provar idônea à CGU”, completou.

O negócio entre a J&F e a Delta foi anunciado em 9 de maio. O contrato dava o direito à J&F de substituir a estrutura administrativa da Delta, incluindo presidente, diretores e membros do Conselho de Administração.

O acordo também previa um processo de auditoria nos próximos meses. Segundo o presidente do grupo, esses estudos não foram concluídos.

A J&F temia dificuldades de financiamento da empreiteira, maior recebedora de recursos federais desde 2007. Ontem, o pagamento de funcionários estava suspenso.

Joesley disse que no período em que o grupo assumiu a gestão da empresa constatou diminuição no fluxo de caixa da empresa em 30% por atrasos em pagamentos. Segundo dois participantes das negociações, a intenção da J&F era ficar só com a parte “saudável” da construtora - como equipamentos e contratos com a iniciativa privada - e o acervo técnico da Delta, qualificação para participar de licitações.

 

CPI

A empreiteira Delta é apontada pela Polícia Federal como braço financeiro do esquema de Cachoeira. No último dia 29, a CPI no Congresso que investiga o suposto esquema aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico em todo o país.

A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007.

 

Delta vai ao STF


Os advogados da Delta entraram ontem com um pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para que a CPI do Cachoeira não quebre os sigilos bancários da empresa em âmbito nacional.

De acordo com o pedido de liminar, a investigação da Polícia Federal, nas Operações Monte Carlo e Vegas, se restringe ao Centro-Oeste e não há “fundamentação necessária” para quebrar os sigilos em todo o país. “É ilegal uma decisão de quebra de sigilo que não se coadune com os fatos em apuração”, diz o documento.

O caso está nas mãos da ministra Rosa Weber. A CPI quebrou os sigilos da Delta em todo o país na terça-feira.

Segundo o pedido de liminar, não há “nenhum registro de indícios de ilicitudes praticadas com representantes da impetrante em âmbito nacional”.

Segundo o inquérito da PF, a Delta era usada pelo esquema de Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, para repassar dinheiro a empresas fantasmas. O então diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, está preso e também é apontado como membro da organização de Cachoeira.

A defesa da Delta afirma ainda não haver “motivação adequada a demonstrar a pertinência com o objeto da investigação”.