08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Felisdeu Leão


| Tempo de leitura: 2 min

Conheci, há aproximadamente 15 anos, o querido colega de profissão e amigo Felisdeu Leão, em encontros e eventos na Paróquia Universitária. Homem de trajar simples e elegante, assim como sua bela e delicada esposa Eunice, formavam um casal de educação e comportamento social ímpar. Sua atenção, delicadeza, servidão e amor ao próximo sempre me impressionaram.
Suas reuniões festivas de aniversário demonstravam como eram queridos pelos amigos que ali compareciam e sempre atendidos nos seus mínimos detalhes. Um casal verdadeiramente "professor de boas maneiras". Seu orgulho era mostrar os recortes de matérias de sua autoria, publicadas no Jornal da Cidade de Bauru, principalmente atribuídos aos temas da natureza e sempre citava a importância do Jabbour de aceitar esses artigos.

Fui por ele convidado a ler e reler o "boneco" do seu livro Canoeiros do Araguaia - Vagueando pelos rios brasileiros, lançado em 2004. Autoproclamava-se "escrevinhador" e não escritor. Histórias sensíveis, fantásticas, recheadas de surpresas, sobre suas andanças pelo rio Araguaia, que amava imensamente. Quando a Rede Globo lançou a novela Araguaia, sugeri, embora sem sucesso, e diga-se de passagem, que também não a acompanhei, que procurassem material nesse livro, para inserir na novela, curiosidades de um conhecedor profundo dessa região.

Também li e reli um livro que estava terminando, sobre uma viagem familiar que fez à Transamazônica, quando da sua inauguração. São também histórias simples, mas por isso mesmo, pela sua narrativa descomplicada, fez com que me sentisse dentro daquela Kombi preparada para a viagem de ida e volta, de Bauru a Manaus, curtindo com seus familiares e um casal amigo essa fascinante aventura. Tomara que ocorra brevemente esse lançamento, para que outras pessoas desfrutem desse prazer, que é um testemunho histórico de uma viagem longa, cansativa, mas de realização de um sonho.

Os rios sentirão sua falta e misturam às suas águas as nossas lágrimas, de uma partida para a casa de Deus, de alguém tão especial como foi o nosso querido Leão. Como confessou-me a Eunice: "vai ser difícil acostumar-me sem ele. Toda noite, antes de dormir, ele pegava na minha mão e dizia: muito obrigado". Nós também dizemos, obrigado Deus, por ter nos dado o Leão.

Arnaldo Pinzan - um dos amigos do Felisdeu