08 de julho de 2026
Geral

Sem RG, vestibulandos perdem prova da Unesp

Por Luciana La Fortezza | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Vários estudantes que ontem prestariam o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp) voltaram para a casa com tristeza e raiva na bagagem. Foram impedidos de realizar a prova porque deixaram de levar qualquer documento de identidade original. Durante visita da reportagem à Instituição Toledo de Ensino (ITE), onde a prova foi realizada, ao menos seis casos desta natureza foram registrados.


Segundo Luiz Gonzaga Campos Porto, coordenador de meios da Fundação Vunesp, responsável pelo processo seletivo, o volume de estudantes que esqueceram os documentos em casa foi acima da média nesta edição do vestibular da Unesp. “É uma informação básica, que consta no site e no manual do candidato. Na hora do nervosismo, o estudante que não se certifica dos materiais e documentos obrigatórios acaba adiando seu projeto de vida por, pelo menos, mais seis meses”, destaca.


A boliviana Valéria Guzman foi um deles. Bem antes dos portões se fecharem às 14h soube que seria impedida de responder às questões porque trouxe apenas cópia do documento de identidade. Chorou. Foi consolada pelos amigos de São Carlos, de onde veio. Tomou o caminho de volta. Mais revoltado, outro estudante na mesma situação resolveu até acionar a Polícia Militar, que esteve na ITE. Em vão.



Outra candidata, que pediu para não ter o nome divulgado, também ficou furiosa, mas não ao ponto de chamar força policial. Ela trouxe o documento, entrou com ele no local da prova bem antes dos portões fecharem e o colocou na bolsa. Como já o havia apresentado, imaginou que não precisaria mais dele. Resolveu então entregar a bolsa para o namorado. Quando voltou, soube que o documento seria exigido também durante a prova. Correu para recuperá-lo. Quando conseguiu: portões fechados.


Impedidos de fazer a prova, os vestibulandos que não apresentaram documentos engrossaram a conta dos 305 candidatos que não compareceram ao certame. Ao todo, a prova teve 3.395 inscritos e o índice de abstenção, de 9%, foi considerado normal pela organização.


Mas teve quem conseguiu a carteira de trabalho cerca de dois minutos antes do prazo final. Fez a prova. “Talvez seja falta de orientação”, comentou Carmen Rocha, mãe de um vestibulando. Também veio acompanhada da filha caçula Beatriz e do marido Celso Rocha, professor de cálculo da Unesp de Assis. De Marília, passeariam por Bauru durante o exame.


“Ele estudou bastante”, comentou Carmen. De acordo com ela, o vestibular de meio do ano não alivia a pressão do estudante. Mas para Raphael Barbosa Frederico, 20 anos, e Romulo Silva Dall’Aqua, pensam diferente. Se não passarem, ainda têm meio ano para reverter o jogo.