08 de julho de 2026
Cultura

Comédia à la Molière

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um verdadeiro clássico centenário de Molière, considerado um dos gênios da literatura mundial, será encenado em Bauru no próximo sábado, a partir das 20h, no Teatro Veritas, da Universidade Sagrado Coração (USC). Trata-se da comédia “Escola de Mulheres”, que foi escrita pelo dramaturgo francês em 1662, e tem no seu elenco nomes conhecidos da televisão, como os atores Carlos Machado (o Ferdinand, de Fina Estampa), Carol Macedo (a Sol, de Fina Estampa), Cláudio Andrade (o Hércules, do Zorra Total, e o Luciano, de Corações Feridos, do SBT) e Beto Nasci (o Glauco em Corações Feridos, do SBT) .

A peça, ao mesmo tempo em que promove muita diversão ao público, estimula reflexões sobre individualismo, poder, moral, amizade, confiança e relacionamento amoroso, entre outros sentimentos. Para o diretor Roberto Lage, o texto, escrito há quase 350 anos, faz parte do mundo contemporâneo.

E quem quer “se dar bem” na história a qualquer custo, sem se importar com ninguém, é Arnolfo (Carlos Machado). O personagem tem pouco mais de 40 anos e o seu maior medo é ser enganado por uma suposta esposa. Por isso, ao longo dos anos, preferiu não se casar para não sofrer a dor insuportável da traição.

Ele “adotou” a menina Inês (Carol Macedo), que na época tinha quatro anos, e a internou em um convento para que a garota aprendesse a ler e a escrever e, ao mesmo tempo, mantivesse a ingenuidade infantil e ficasse, assim, completamente desprovida das atitudes e malícias da sociedade. Mas seus planos correm riscos de serem abortados, pois Inês, já com 18 anos, justamente em função de sua bondade e ingenuidade, se apaixona pelo jovem Horácio (Cláudio Andrade), filho de seu amigo Oronte (Beto Nasci, de Corações Feridos, do SBT). A história conta também com os hilários criados Alain (Gerardo Franco) e Jorgito (Bruno Barros), que completam o elenco. A peça é uma realização da Ferreira Eventos Culturais e tem apoio do Jornal da Cidade e da Porto Seguro.

 

Ingressos à venda na Loja Roth Store (av. Getúlio Vargas) por R$ 30,00 (estudantes, idosos, professores, clientes Porto Seguro e recortes do Jornal da Cidade publicados nas edições de terça, quinta e sábado) e R$ 60,00 (inteiro). Classificação: 12 anos

 

Quem foi Molière

Considerado um gênio da literatura francesa e universal, Molière adotou as formas tradicionais da comédia e revitalizou-as num novo estilo, em que os contrários se confrontam: a verdade se opõe à falsidade, a inteligência ao pedantismo. Esse estilo, unido à aguda percepção do absurdo da vida cotidiana, deu às obras de Molière um caráter inimitável.

Jean-Baptiste Poquelin, conhecido como Molière, foi batizado em Paris em 15 de janeiro de 1622. Filho de um rico fornecedor de tapetes da casa real, recebeu educação privilegiada no colégio de Clermont. Recusou-se, porém, a seguir a carreira do pai e decidiu abraçar o teatro. Em 1643, fundou em Paris, junto com outros nove atores, entre os quais se encontrava Madeleine Béjart, a companhia L’Illustre-Théâtre, que se apresentou em Paris durante dois anos. Adotou o nome artístico de Molière e, totalmente responsável pelo grupo, tentou manter um teatro, mas as dívidas, que o levaram duas vezes à prisão, obrigaram o grupo a deixar a capital em 1645.

Durante os 13 anos seguintes, a companhia excursionou pela França, representando obras do repertório clássico e algumas peças curtas escritas por Molière. A experiência que adquiriu nessa época como autor e diretor foi decisiva para seu triunfo posterior, pois Molière, embora extraordinário escritor, jamais concebeu suas obras para a publicação, mas sim para a representação, e sua trama adaptou-se sempre às necessidades da ação cênica.

 

Obras importantes

A primeira obra importante de Molière representada em Paris, Les Précieuses ridicules (1659; As preciosas ridículas), já continha a crítica à afetação e o apelo ao bom senso que caracterizariam sua obra. A partir de então, Molière apresentaria em Paris - e apenas ocasionalmente em outros lugares - 31 obras próprias e muitas outras de diversos autores, e sustentaria uma luta perene contra as acusações de imoralidade e as proibições que com freqüência suscitaram suas obras.

Entre suas principais obras podem ser destacadas Sganarelle (1660), Dom Garcie de Navarre (1661), L’École des femmes (1662; A escola de mulheres) e, principalmente, Tartuffe (Tartufo), em 1664, Dom Juan, ou Le Festin de pierre (Dom Juan ou O banquete de pedra), Le Misanthrope (O misantropo), e L’Avare (1668; O avarento), uma de suas obras-primas.

Em 17 de janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista de sua última obra, Le Malade imaginaire (O doente imaginário), Molière sofreu um repentino colapso e morreu poucas horas depois, em sua casa de Paris.