10 de julho de 2026
Nacional

Banco Cruzeiro do Sul pode ter ação suspensa por 2 meses

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - As ações do banco Cruzeiro do Sul, cujas negociações foram suspensas na manhã de ontem após a intervenção do Banco Central, poderão ficar até dois meses sem ser negociadas em Bolsa.

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que assumiu a gestão do banco ontem, quer que as ações só voltem a ser negociadas quando houver uma definição da situação patrimonial do banco.

O Banco Central detectou um rombo de R$ 1,3 bilhão decorrente de “insubsistência de crédito”, o que significa que não há “evidências” de que operações nesse valor existam. Como o patrimônio do banco é de cerca de R$ 1,2 bilhão, o questionamento pode levá-lo a um deficit patrimonial de R$ 100 milhões.

A reportagem não conseguiu falar com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e com a Bovespa para saber se será permitida a interrupção das negociações das ações por esse período. Na intervenção do Banco PanAmericano, que tinha o problemas semelhantes de patrimônio, os negócios com as ações chegaram a ser suspensos por algumas horas, mas retornaram logo depois.

 

Intervenção

O Banco Central anunciou ontem a intervenção no Banco Cruzeiro do Sul por problemas na contabilidade e descumprimento a normas do sistema financeiro.

Os dirigentes e controladores foram afastados da instituição e o FGC foi nomeado como administrador temporário. Os bens dos controladores e dos ex-administradores ficarão indisponíveis.

Segundo o BC, o Raet (Regime de Administração Especial Temporária) tem a finalidade de corrigir procedimentos operacionais e eliminar deficiências que possam comprometer o funcionamento do banco. O prazo da intervenção é de 180 dias.

O Banco Cruzeiro do Sul é considerado de pequeno porte e possui autorização para operações comerciais, de investimento e cambiais. A instituição tem 0,22% dos ativos totais do sistema financeiro e 0,35% dos depósitos, segundo dados de dezembro de 2011. A sede é em São Paulo e há agências no Rio de Janeiro, Campinas, Salvador, Recife, Belém, Macapá e Palmas, além da própria capital paulista.

A intervenção não afeta o funcionamento do banco, que pode continuar a fazer operações nas áreas em que tem autorização para atuar. O prazo para pagamento de dívidas e as datas de vencimento de compromissos de terceiros com a instituição também seguem o cronograma original. O regime especial também vale para os outros negócios do grupo Cruzeiro do Sul, como a corretora de valores.

“O Banco Central está tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais de supervisão do sistema financeiro”, afirma a nota do BC.

Ainda de acordo com a autoridade monetária, os resultados da apuração poderão levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e à comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.

O FGC afirmou que levantará um balanço especial para apurar as condições econômico-financeiras das instituições do Cruzeiro do Sul e disponibilizou o telefone (0/xx/11) 3848-2865 para esclarecer dúvidas dos clientes do banco.


Balanço

O Cruzeiro do Sul teve prejuízo de R$ 57 milhões no primeiro trimestre, ante lucros de R$ 32 milhões no quarto trimestre de 2011 e de R$ 41 milhões um ano antes. O banco vendeu mais de US$ 300 milhões em títulos nos mercados internacionais no ano passado, mas essa fonte secou em decorrência da crise de dívida que atingiu países da Europa.