09 de julho de 2026
Política

Câmara tem dia de sessão ?fantasma? com menos de 2h

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

14h11 e 15h50. Foram os horários em que, respectivamente, começou e terminou a sessão legislativa da Câmara Municipal de Bauru de ontem. Apenas cinco vereadores usaram a palavra no rol de oradores e a grande maioria deles sequer estava presente no plenário. Esse comportamento tem se tornado cada vez mais evidente com a proximidade das eleições, mas foi escancarado nesta segunda-feira em razão do esvaziamento da pauta de votações.

Com o fim da ‘sessão relâmpago’, o presidente Roberval Sakai (PP) chamou todos os parlamentares para uma reunião, onde cobrou mudanças na postura. O Jornal da Cidade apurou que o pepista alertou sobre a repercussão negativa que o fato geraria nos veículos de comunicação e compartilhou a responsabilidade sobre isso com os colegas.

Ainda assim, nem todos os vereadores participaram da reunião convocada pelo presidente. O tucano Marcelo Borges recebeu falta na chamada que antecede a votação dos projetos, pois chegou atrasado ao prédio da Câmara, segundo ele, em função de compromissos pessoais. Por conta disso, perdeu a remuneração referente ao dia de ontem, que vale, aproximadamente, R$ 230,00.

Borges demonstrou irritação com o episódio, pois não é de faltar nem de se omitir nos debates e costuma participar de todas as sessões. Alguns de seus colegas, porém, precisam ser literalmente caçados todas as segundas-feiras no momento da votação dos projetos.

O pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB) é o maior exemplo disso. Amarildo de Oliveira (sem partido) também não costuma ouvir o discurso dos demais vereadores, bem como José Carlos de Souza Batata (PT). Paulo Eduardo de Souza (PSB) usa os 10 minutos regimentais religiosamente, mas só costuma chegar ao plenário na sua hora de falar. Ontem, porém, o corre-corre foi generalizado, com a entrada de praticamente todos os vereadores no plenário ao mesmo tempo para que pudessem responder a chamada.

Após a sessão da semana passada, a coluna Entrelinhas do JC publicou que Sakai chegara a tocar a campainha da Mesa Diretora para chamar os edis ao plenário durante o rol de oradores.

 

Clima eleitoral

A proximidade com o período eleitoral é um dos principais fatores apontados pelo crescente desinteresse dos vereadores nas discussões, durante as sessões legislativas. Um parlamentar, consultado pelo JC, admitiu que as pendências de sua pré-campanha eleitoral têm tomado seu tempo durante as reuniões parlamentares.

Na prática, os vereadores estão se furtando do tempo que lhes é disponível para discutir temas que envolvem a cidade e a vida da população, perdendo, inclusive, espaço para mostrarem suas atuações enquanto parlamentares. Afinal, suas obrigações não se resumem apenas à discussão e à aprovação de projetos. 

Vale lembrar ainda que a baixa participação dos vereadores nas discussões não se restringe apenas às sessões, já que são raras as audiências públicas que contam com a presença de número razoável de edis.

 

Quem estava

Os parlamentares que discursaram durante a sessão legislativa de ontem foram Moisés Rossi (PPS), Natalino da Pousada (PV), Paulo Eduardo de Souza (PSB), Roque Ferreira (PT) e Fabiano Mariano (PDT). O presidente Roberval Sakai (PP) e Carlinhos do PS (PP) estavam no plenário desde o início da sessão, mas não utilizaram a tribuna. O último, aliás, nunca usa.

A postura dos parlamentares em não participar da sessão durante o rol de oradores vem sendo criticada por alguns dos edis há semanas. Entre eles, Roque e Rossi, dois dos mais pontuais.

Fernando Mantovani (PSDB) não participou da sessão de ontem porque está fora de Bauru. José Roberto Segalla (DEM), que é segundo secretário da Mesa Diretora, também havia justificado sua ausência no plenário em razão de um procedimento médico, da retirada de uma pinta. O vereador recebeu orientações médicas para não ficar exposto ao sol nem à forte luz do plenário.

Chiara Ranieri (DEM) e Renato Purini (PMDB) apenas passaram pelo plenário enquanto os poucos colegas presentes discursaram. O mesmo vale para Luiz Carlos Barbosa, que chegou a achar graça do total esvaziamento. “Hoje que eu cheguei cedo não tem ninguém?”, ironizou o parlamentar.

 

Repasses

Após a situação de constrangimento criada pela postura da maioria dos vereadores na sessão de ontem, foram aprovados os três projetos que estavam na pauta e repassavam recursos públicos para a Associação Beneficente Amigos do Recanto Renascer (Abarr), Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (Sapab), Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec), Casa do Garoto, Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), Instituto Apóstolas do Sagrado Coração e Sorri.