Beirute - Depois de 15 meses de violência e com o país praticamente fechado à ajuda humanitária internacional, o governo da Síria aceitou liberar a entrada de equipes de assistência da ONU.
Enquanto prometia abrir as portas para a ONU, o regime decidiu fechá-las para 17 diplomatas, que declarou “personae non gratae”.
Foi uma retaliação à expulsão de representantes sírios dos EUA e de mais dez países na semana passada em protesto pelo massacre de 108 pessoas em Houla.
O acordo com a ONU prevê o acesso das equipes às quatro províncias mais atingidas pela violência.
A ONU estima que um milhão de pessoas na Síria precisam de ajuda humanitária.
Depois de várias promessas quebradas pelo regime do ditador Bashar Assad, incluindo o cumprimento do cessar-fogo, o acordo foi recebido com cautela.
“Liberdade de movimento, acesso desimpedido à ação humanitária dentro da Síria”, disse John Ging, que coordena a missão, enumerando o que a ONU espera. “A boa-fé do governo será testada hoje, amanhã e também no dia seguinte”.
Kelly Clements, do Departamento de Estado dos EUA, um dos países mais críticos a Assad, lembrou que o acesso humanitário é “uma porção-chave” do Plano Annan, que estabeleceu o cessar-fogo. “Palavras no papel são uma coisa. Queremos ver ação já”, ressalvou.
Além das áreas na linha de fogo, o país inteiro sofre com o aumento de preços.
Sem acordo na ONU para um embargo de armas, o regime continua recebendo-as da Rússia. Arábia Saudita. Outros países do golfo armam o lado dos rebeldes, com apoio de EUA e União Europeia, enquanto a Síria afunda para a guerra civil.
Os últimos dias foram os mais sangrentos para as tropas leais a Assad desde o início do levante contra o regime, há 15 meses. Rebeldes afirmam ter matado 113 soldados em três dias.
Armas não faltam, mas o desabastecimento de produtos básicos leva muitos sírios a questionar as sanções econômicas de EUA e UE.
Lobby de jornalista
Barbara Walters, uma das jornalistas mais conhecidas dos EUA, pediu desculpas ontem depois que foi revelada uma série de e-mails que mostram que ela fez lobby para que a filha de um assessor do ditador sírio, Bashar Assad, conseguisse vaga na CNN e na Universidade Columbia, em Nova York.
Os e-mails -obtidos pelo “Daily Telegraph”- começaram no fim de 2011.