O samba da melhor qualidade vai tomar conta da noite de hoje em Bauru com o tradicional grupo carioca Fundo de Quintal. Há mais de três décadas na estrada e tendo como “madrinha” a cantora Beth Carvalho, o referenciado conjunto de samba promete entoar canções do CD “Nossa Verdade”, lançado o ano passado, além de clássicos que marcaram história. A festa acontece hoje, a partir das 23h, na antiga Dolce.
“Já viemos outras vezes para Bauru, mas este show com nosso novo CD é inédito”, anunciou Ubirany, durante entrevista ao Jornal da Cidade. Formado na década de 70, o Fundo de Quintal cativou a atenção do público pelo uso de certos instrumentos - até então pouco comuns em rodas de samba - como o banjo, o tantã, o repique de mão e o repique-de-anel.
A formação atual conta com o talento dos fundadores Bira (pandeiro), Ubirany (repique de mão) e Sereno (tantã), que se mescla ao de Ademir Batera (bateria), Ronaldinho (banjo) e, agora, ao do novo vocalista: o já consagrado cantor e compositor Délcio Luiz, conhecido no mundo do samba por ter integrado os grupos Só Preto Sem Preconceito, Raça e Kiloucura.
Os sambistas já gravaram vários álbuns, alguns deles discos de ouro e platina. Alguns de seus grandes sucessos são “A Batucada dos Nossos Tantãs”, “E Eu Não Fui Convidado”, “Boca Sem Dente”, “Ô, Irene”, “O Show Tem Que Continuar”, “Do Fundo do Nosso Quintal”, “Só pra Contrariar”, “Miudinho”, “Bebeto Loteria”, “Parabéns pra Você”, “Andei, Andei”, entre outros.
Serviço
A antiga Dolce fica na avenida Getúlio Vargas, 7-50. Ingressos para o show do Fundo de Quintal estão sendo vendidos no Flipper Lanches, Jô Calçados, Camila Modas, Lotérica Mary Dota, Buteco Jamelão e Roller Point. Informações: (14) 3018-9652 e (14) 9705-6888.
Samba de várias vertentes
A sonoridade centrada nas cordas do banjo, na percussão do tantã e do repique de mão, marca registrada do Fundo de Quintal, permanece por mais de três décadas sem perder a essência. E, apesar do pagode ser frequentemente apontado como “modismo”, o que contribuiria para a descaracterização da “essência” do samba de raiz, Ubirany evidencia que existe, na verdade, um processo de rotulação em meio a essa crítica toda. “Há muitas pessoas cantando aquilo o que as pessoas rotularam de pagode. Mas o pagode não descaracteriza o samba. O pagode, na nossa opinião, é a reunião de pessoas para cantar samba. No entanto, com o tempo, a mídia começou a rotular pagode como gênero musical”, comentou. “Assim, o pagode também contempla o samba, e este existe nas mais diversas vertentes. O Fundo de Quintal mistura várias dessas vertentes, como o samba de partido alto, o samba romântico. E cada um tem direito de curtir o samba do seu jeito”, finaliza.
‘Show é história musical do grupo’
A apresentação em Bauru leva o mesmo nome do mais recente álbum da banda, “Nossa Verdade”. O disco apresenta 14 faixas inéditas e faz um verdadeiro resgate às tradições do Fundo de Quintal.
No palco, o samba é reverenciado, passeando por clássicos desses mais de 30 anos de sucesso no melhor estilo exaltação, partido alto, romântico e calangueado. Sem perder o ritmo, o vocalista Délcio Luiz ainda faz um pout-pourri de seus hits do samba, incluindo “Seja Mais Você”, “Por um Erro” e “Te Amo”. Também não vai faltar a famosa “Dança do Miudinho”, uma homenagem do grupo aos grandes mestres sambistas do passado.
“Sempre cantamos músicas de lançamento, mas nosso show é uma verdadeira ‘história musical’ do Fundo de Quintal. Graças a Deus, nós temos músicas do primeiro disco, do tempo de vinil, que ainda são cantadas e solicitadas nos shows. Isso é muito bom, poder perceber que o povo canta nossos clássicos”, salienta Ubirany.
E há uma mais pedida? Difícil. “O Fundo de Quintal não é banda que tem apenas uma canção de sucesso. São várias as mais pedidas, não há somente uma mais solicitada”, indica Ubirany, que ainda revela que o grupo está em fase de preparação de um próximo álbum.