Brasília - Um relatório lançado hoje pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) traz uma verdade inconveniente para a América Latina: o corte de emissões de carbono via redução do desmatamento será mais do que compensado pelo aumento das emissões nos setores industrial e de transportes.
O resultado é que a região deve chegar a 2050 emitindo 7 bilhões de toneladas de CO2 por ano, cerca de 50% mais do que os 4,7 bilhões atuais.
Se a trajetória se mantiver, os custos de controle de emissões em 2050 chegarão a 2,4% do PIB da região em 2010, ou US$ 110 bilhões por ano.
Isso é mais do que os próprios prejuízos causados pela mudança climática entre agora e 2050, estimados pelo mesmo estudo do BID em até US$ 100 bilhões por ano.
Amazônia melhora
O governo brasileiro anunciou ontem a menor taxa de desmatamento na Amazônia já medida: em 2011, a maior floresta tropical do mundo perdeu “apenas” 6.418 km2, ou o equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo.
A divulgação dos dados consolidados do Prodes, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mede a taxa oficial de devastação, obedece à estratégia habitual do Planalto, desde a era Lula, de soltar um número positivo sempre que o país é pressionado por seu desempenho ambiental.
No ano passado, a divulgação da previsão do Prodes de 2011 (3,5% menor que o dado consolidado de ontem) no meio da conferência do clima de Durban serviu para silenciar críticas à atuação do governo no Código Florestal.
O novo dado surge num momento em que o país é criticado pela falta de liderança na condução da Rio+20.