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Neide Carlos |
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Para o delegado da DIG, Kléber Granja, o acusado alegou legítima defesa |
A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais de Bauru (DIG), esclareceu, nesta quarta-feira (6), um homicídio ocorrido em 2011, entre a Pousada da Esperança I e o Jardim Gasparini, em Bauru.
Em janeiro, Richard da Silva, 33 anos, foi morto com dez facadas, na madrugada do dia 23, em um terreno na quadra 1, da rua Oscar Augusto Guelli. Quando os policiais chegaram no local, a vítima já estava sem vida. No levantamento realizado pela DIG, foi apurado que a vítima estava bem próxima da faca utilizada pelo agressor. Porém, do instrumento utilizado, foi encontrado apenas a lâmina com bastante sangue. Na varredura pelo local, ainda foi localizado, a cerca de 200 metros da cena do crime. o cabo da faca, um par de chinelos e alguns respingos de sangue.
De acordo com informações do delegado titular da DIG, Kléber Granja, na época das investigações do crime, a equipe coletou o sangue e, após análise, foi contatado a presença de dois materiais genéticos na lâmina. “A presença de dois tipos diferentes de material genético reforçou a hipótese apontada pela DIG de que a vítima e o agressor teriam lutado”, aponta Kléber. “Ainda foi apontado que o instrumento havia sido usado por ambos, ou seja, vítima e agressor teriam se ferido na agressão”, reitera o delegado da DIG.
Nas investigações sobre o paradeiro do suspeito do crime, os policiais realizaram uma checagem e levaram um possível acusado. V.F., morador próximo ao local, foi apontado pelos policiais. Apurado junto aos moradores, foi constatado de que V. teria mudado de endereço após o homicídio e que, na mesma época, apresentava ferimentos que reforçavam ainda mais a suspeita de luta corporal.
Em fevereiro deste ano, o delegado da DIG havia expedido um pedido de prisão temporária contra V. Nesta quarta-feira, o advogado entrou em contato com o delegado e afirmou que V. se apresentaria na delegacia. No local, ele teria confessado o crime. “V. explicou com riqueza de detalhes o que aconteceu naquela madrugada. Ele disse que caminhava sozinho pelo terreno, a poucas quadras da sua casa, quando foi atacado por Richard, que aplicou dois golpes de faca no braço, o que causou uma cicatriz profunda”, esclarece Kléber.
Após o fato, V. relatou aos policiais que, quando recebeu a segunda facada, na testa, a faca teria quebrado e, nesse momento, ele teria conseguido dar um chute no agressor. “Ele informou ter perdido o par de chinelos ao dar o chute em Richard e que ficaram lutando por mais 200 metros quando ele conseguiu pegar a lâmina e golpear a vítima no abdome. Ele alega legítima defesa”, acrescentou Granja. No relato, V. informou não se lembrar das outras lesões.
Feita a confissão, o delegado decidiu efetuar a ordem judicial e cumprir o mandado de prisão. No entanto, devido as informações baterem com a dinâmica de investigações dos policiais, de V. ter se entregado espontaneamente na delegacia, possuir bons antecedentes e residência fixa, e também pelo fato de se comprometer a comparecer a todos os demais atos de investigação, foi solto e aguardará a conclusão do inquérito policial em liberdade.