08 de julho de 2026
Geral

Prefeito de Birigui ameaça repórter da Folha da Região

Rede APJ
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito de Birigui, Wilson Borini (PMDB), fez ameaças ao repórter Paulo Godoy, do jornal Folha da Região, de Araçatuba, durante cobertura da sessão da Câmara na noite de terça-feira (5). Com o dedo em riste e constrangendo o jornalista, junto com dois filhos, Ricardo e Rodrigo Borini, e na frente dos vereadores e do público, o chefe do Executivo teria chamado o jornalista de "vagabundo" e feito até ameaças de morte. "Ele disse que iria me moer, que não sairia vivo de Birigui", afirmou o repórter Godoy. Enquanto Borini esbravejava, os dois filhos do prefeito mandavam o repórter calar a boca, avançando sobre ele, sem tocá-lo. O secretário municipal de Esportes, Nivaldo Albani, cunhado de Borini, também teria participado das ameaças. O tumulto resultou na suspensão temporária da sessão. 

O episódio repercutiu negativamente nos meios jornalísticos. O presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ), Renato Zaiden, entidade à qual a Folha da Região é jornal associado, disse ser "absolutamente inconcebível que autoridades e pessoas com mandato público tentem cercear o direito do jornalista de informar e do público de ser informado, através de agressões verbais e ameaças de violência física". Zaiden completou: "Ao mesmo tempo é grave e muito preocupante que a integridade do repórter seja colocada em risco, portanto necessário que as autoridades competentes apurem os fatos e tomem providências preventivas contra possíveis agressões, que por ora anunciadas, não venham a se concretizar".

Como ocorreu

O episódio aconteceu logo depois da aprovação de projetos, de autoria do próprio Borini, que davam o nome de Ramona Rodrigues Borini, sua mãe, para o Núcleo de Atendimento Municipal de Educação, Saúde e Social, e de Isaura Macarini Albani, mãe da primeira-dama, Geni Albani Borini, para o trecho da rua José Masson entre a rotatória da rua Joaquim Ciciliatti até o início da estrada municipal José Moimas Neto. 

Godoy trabalhava na cobertura da sessão, sentado na última fileira das galerias. Quando Borini deixava a Câmara, viu o repórter e o chamou pelo nome. Quando Godoy se levantou para cumprimentá-lo, o prefeito iniciou o ataque. Borini, segundo Godoy, citou apenas matéria publicada pela Folha da Região no domingo (3) sobre a investigação pelo Ministério Público de contratos com uma empresa que fornece vale-alimentação para várias prefeituras do Estado, entre elas Birigui, por falta de licitação. "Ele não me deixou argumentar e ficou me ameaçando". 

Paulo Godoy foi obrigado a pedir segurança ao presidente da Câmara, Elias Antônio Neto (PMDB), e chamar a Polícia Militar para conseguir deixar a Câmara. "Nunca passei por uma situação como esta", disse o repórter, que atua há quase 20 anos no jornalismo.  

Outro lado

Wilson Borini negou que tenha ameaçado o repórter de morte. "Eu disse apenas para que ele sumisse de Birigui", declarou à Folha da Região, por telefone, quando já estava em uma churrascaria com a família. O chefe do Executivo alegou que perdeu a cabeça porque Godoy estaria "distorcendo" suas informações durante entrevistas. Borini alegou, por exemplo, que o contrato com a empresa investigada por falta de licitação foi feita pela administração anterior e que nada é realizado em seu governo sem licitação. O prefeito também destacou que tomou providências com relação a casos de nepotismo noticiados pela Folha, demitindo os parentes.