Londres - O crescimento populacional, a urbanização e o consumo vão causar danos irreversíveis ao planeta, disse ontem a ONU, que também fez um apelo por um acordo urgente sobre novas metas verdes para salvar o meio ambiente.
O Programa Ambiental da ONU disparou o alarme no seu Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5), publicado duas semanas antes da cúpula Rio+20, uma das maiores reuniões globais de meio ambiente dos últimos anos.
O encontro de 20 a 22 junho deverá atrair mais de 50.000 participantes de governos, empresas e grupos ambientalistas e de lobby para tentar definir novas metas em sete temas principais, incluindo água, alimentos, segurança e energia.
O GEO-5, que levou três anos para ficar pronto e é descrito pela Organização das Nações Unidas como seu principal exame da saúde do planeta, exorta os governos a criarem metas mais ambiciosas ou endurecer as já existentes que, em sua maioria, não foram cumpridas.
O tempo é curto, disse o subsecretário-geral da ONU e diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, enquanto o planeta caminha para os 9 bilhões de pessoas até 2050 e a economia global consome quantidades cada vez maiores de recursos naturais. “Se as tendências atuais continuarem, se os padrões atuais de produção e consumo dos recursos naturais prevalecerem e não puderem ser revertidos e ‘dissociados’, então os governos vão presidir com níveis sem precedentes de danos e degradação”, disse Steiner em um comunicado.
Relatório
O diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, apontou que o relatório “não fala só de fracassos” e mostra boas iniciativas, como o engajamento chinês para reduzir danos ambientais do passado e o freio imposto ao desmatamento na Amazônia pelo governo brasileiro.
Das 90 metas ambientais existentes mais importantes, apenas quatro estão fazendo progressos significativos, segundo o relatório. Algumas das metas de sucesso incluem aquelas para evitar a destruição do ozônio e proporcionar o acesso a abastecimento de água limpa. Mas o documento detectou pouco ou nenhum progresso em 24 metas.