08 de julho de 2026
Turismo

Lençóis é pura beleza e contemplação


| Tempo de leitura: 5 min

A primeira sensação é a de estar em um deserto. Dunas fofas e branquíssimas de até 40 metros de altura e o calor forte, mesmo nas primeiras horas da manhã, reforçam a impressão logo na entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. No entanto, basta escalar a primeira montanha de areia (o que exige certo preparo físico, é verdade) para descobrir o que faz a beleza incomparável deste cenário: lagoas de água doce e fresca cujas cores mesclam tonalidades de azul e verde.

"O lugar mais bonito do Brasil" onde "famílias se abraçam e choram quando chegam", exageram os guias que levam turistas até lá. Mas é preciso reconhecer: a paisagem é mesmo deslumbrante. E tão convidativa que fica difícil controlar o ímpeto de sair correndo duna abaixo para um mergulho certeiro.

Os guias, vale ressaltar, não recomendam a brincadeira por questão de segurança. Porque é quase certo ganhar alguns arranhões na descida íngreme. Mas nada muito sério.

São milhares as lagoas que se formam - e desaparecem - todos os anos em uma área de 100 quilômetros de comprimento ao longo do litoral por 50 quilômetros de largura (ou 155 mil hectares). Tudo graças às chuvas. O volume de água que despenca por lá ultrapassa os 1.500 milímetros por ano, especialmente entre janeiro e maio. A melhor época para ver as lagoas cheias vai de junho a setembro, assim que para de chover.

Tudo diferente

Localização, formato, profundidade e tamanho das lagoas mudam o tempo todo. Além do volume das chuvas, os ventos movimentam as dunas e determinam onde e como aparecerá a próxima. Por isso, cada visita aos Lençóis Maranhenses é única.

Ainda assim, existem lagoas permanentes no parque. São aquelas que, mesmo quando secam devido a um longo período de estiagem, ressurgem exatamente no mesmo lugar. Em casos assim, chegam a ganhar nomes. É o caso da Lagoa da Preguiça, que aparece sempre depois da primeira duna (para quem entra por Barreirinhas). "Portanto, não é preciso andar muito para chegar até ela, daí o nome", explica Célio Santos, um dos guias habituados a levar turistas ao parque.

Ali por perto ficam as lagoas Esmeralda, que deve seu nome à cor verde de suas águas, emprestada pela vegetação que cresce no fundo, e da Paz. Segundo o guia, na época da cheia as três lagoas enchem tanto que viram uma só.

A Lagoa dos Peixes é a única que nunca seca. Na época da cheia, ela chega a 5 metros de profundidade (contra 1,5 metro, no máximo, das demais). E recebe este nome porque, mesmo sem rio ou mar por perto, os lambaris se proliferam em suas águas. A hipótese para o fenômeno é a de que as ovas sejam trazidas no estômago de aves pescadoras, como maçaricos, bastante comuns na região.

Viver de fachada

O jornalista Leandro Costa foi fundo na história dos sobradões da capital maranhense.

E nos conta: "

Para ser considerado rico e digno de respeito na São Luís dos séculos 18 e 19, você precisava morar em uma casa com seis janelas na fachada. Tal característica arquitetônica era mais importante até que o dinheiro. Tanto que quem perdia tudo, se conseguisse manter o casarão (chamado de morada e meia), preservava seu status de nobre. Até ditados populares surgiram dessa classificação. "Viver de fachada", por exemplo. Ou dizer que alguém está "sem eira nem beira": as melhores casas da São Luís colonial tinham três linhas de telhas de barro sobrepostas, chamadas de eira, beira e tribeira. Quanto mais pobre a casa, menor o número de telhas."

Curiosidades como essa tornam saborosa uma visita ao centro histórico da capital maranhense. Entre os mais de 5 mil imóveis coloniais, nem todos preservados, há ainda exemplares com quatro janelas na fachada (morada inteira), três janelas (terço de morada), duas (meia morada) e as mais simplesinhas, chamadas de porta e janela.

Fundada em 1612 por franceses e colonizada principalmente por portugueses, a cidade exibe uma belíssima coleção de azulejos nas fachadas. Outro detalhe interessante: os de origem francesa medem 11 por 11 centímetros. Os portugueses, 14 por 14.

O patrimônio de São Luís inclui também igrejas, como a capela de Santo Antônio, de 1889. E a Catedral da Sé, ao lado de outro prédio famoso, o Palácio do Leões, sede do Governo do Estado, aberto a visitas de quarta-feira a domingo.


O QUE LEVAR

Kit básico

Óculos de sol, chapéu e protetor solar. Além de tênis, necessário para caminhar entre as dunas caso a areia esteja muito quente.
Repelente
Merece um item à parte por ser realmente indispensável nos passeios pelo rio. Os mosquitos não perdoam.
Dinheiro em espécie
Porque não há caixa eletrônico até onde a vista alcança.


O QUE TRAZER

Mandioca brava
Não na sua forma natural, mas transformada em cachaça, a tiquira. Outra opção é a pimenta curtida no molho do tucupi, caldo extraído da mesma planta.
Doce de buriti
Uma das especialidades da região.
Artesanato
Bolsas, enfeites e outros objetos à venda no vilarejo de Marcelinas.


SAIBA MAIS

?Passagem aérea:
TAM e TRIP

(www.tam.com.br
www.trip.com.br

?De São Luís a Barreirinhas: de ônibus, custa desde R$ 25 na Cisne
Branco (cisnebrancoturismo.com.br). A BRTur (98) 3236-6056 faz transfers em vans a R$ 35.


Sabor inesquecível

Os jornalistas da Abrajet (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo) que estiveram na BNTM - feira de turismo do Maranhão realizada recentemente, e recepcionados em São Luís por Gutemberg Marques Bógea do "Pequeno Jornal" puderam provar a maravilhosa culinária do Estado.

São Luís conta com excelentes restaurantes, premiados, sérios. Como o Feijão de Corda e o Maracangalha. Neles não faltam os pratos típicos do Maranhão, incluindo a caldeirada de camarão, peixes variados, carne de sol e arroz de cuxá (temperado com erva chamada vinagreira e camarão seco).


*Apoio: CTI Nordeste/ Abrajet Nacional /TAM e Trip Linhas Aéreas