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João Rosan |
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Pedaço de caixa d’água manchado de sangue foi encontrado próximo ao corpo da vítima |
Uma retaliação brutal pelo comportamento inadequado que perturbava os moradores. Esta é uma das hipóteses para explicar o assassinato de Antônio Vergílio Gomes, 45 anos, encontrado em um terreno baldio no Parque Jaraguá, em Bauru. De acordo com a polícia, o homem, que era portador de deficiência mental, ameaçava a população e pode ter sido vítima de um linchamento. Ontem, um adolescente foi ouvido e liberado.
O corpo foi localizado na noite de anteontem na quadra 1 da rua Pedro Álvares Mansera após moradores acionaram a Polícia Militar (PM). A vítima estava com dois cortes profundos na cabeça e hematomas pelo corpo. Um pedaço de caixa d’água manchado de sangue e uma foice quebrada foram localizados perto do terreno.
Na manhã de ontem, por volta das 10h, a PM recebeu uma denúncia anônima apontando um adolescente de 15 anos, morador do Jaraguá, como um dos suspeitos do crime. Policiais das Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) o localizaram e o conduziram ao Plantão da Polícia Civil.
“Ele contou aos policiais que Antônio Gomes estava com um facão na noite do crime. Ainda confessou ter dado uma rasteira na vítima com a ajuda de mais três pessoas, sendo que, entre elas, havia dois irmãos, também adolescentes”, conta o comandante da Força Tática da PM, Paulo César Valentim.
Estes dois jovens irmãos citados também foram identificados, porém, não foram localizados ontem. A mãe deles, contudo, foi encontrada e também encaminhada para prestar depoimento. “O outro homem ainda não foi identificado. Pelo que parece, ele não seria menor de idade”, completa Valentim.
Entretanto, no Plantão da Polícia Civil, não houve qualquer prova que ligasse o adolescente ao crime. O delegado plantonista Frederico José Simão conta que ele não confessou a prática e que testemunhas confirmaram a alegação do adolescente.
“No dia do crime, a vítima tinha ido procurar um homem chamado ‘Anderson’ com uma faca na mão. Vendo o fato, o adolescente contou que deu uma rasteira e desarmou a vítima, porém, não participou das agressões”, declara.
Duas testemunhas confirmaram esta história. “Não temos provas de que tenha sido ele. Por isto, foi registrado apenas um ato infracional e o adolescente foi liberado para a família”, relata o delegado, complementando que, para a Polícia Civil, o crime continua com autoria desconhecida.
Perturbação
Antônio Vergílio Gomes foi descrito pelos moradores como o protagonista de diversas perturbações no Parque Jaraguá. “Pelo que foi apurado, ele ameaçava constantemente colocar fogo nas residências vizinhas e atirava pedras contra as casas. Muita gente no bairro não gostava dele. Inclusive, há informações de que, há um bom tempo, ele chegou a incendiar um imóvel”, revelou o delegado plantonista Frederico José Simão.
Servidor público afastado por conta da deficiência mental, a vítima ainda seria usuária de crack. Próximo ao seu corpo, foi localizado um cachimbo usado para fumar o entorpecente.
Ontem, após ouvir tanto o adolescente quanto as outras testemunhas, o delegado afirma que uma das hipóteses possíveis é que ele tenha sido linchado justamente por conta deste comportamento inadequado.
“Parece que, depois que Antônio Gomes foi desarmado, começou uma aglomeração. Como ele tinha este histórico conturbado, várias pessoas se juntaram e começaram a agredi-lo”, conclui Frederico Simão.
Ontem, a equipe do JC esteve no terreno onde o corpo foi encontrado. Apesar do histórico conturbado da vítima, rosas foram colocadas no local.
Dois caminhos
Por se tratar de um homicídio e da suspeita de envolvimento de adolescentes, há dois caminhos para o inquérito policial. Como o caso ainda é tratado por autoria desconhecida, o trajeto mais provável é a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que, inclusive, esteve com uma equipe presente quando a vítima foi encontrada.
O outro caminho é a Delegacia de Infância e Juventude (Diju), que apura os casos envolvendo menores infratores. É esta unidade especializada que vai investigar a participação – ou não - do adolescente levado ao Plantão da Polícia Civil ontem, ouvido e liberado em seguida.
Brancas e fatais
Em menos de dez dias, é a terceira ocorrência fatal envolvendo as chamadas armas brancas em Bauru. Esta tendência, conforme o Jornal da Cidade publicou com exclusividade no fim de abril deste ano, preocupa a polícia. Na ocasião, foi divulgado que somente no primeiro trimestre de 2012, foram apreendidas, em média, duas armas brancas por dia na cidade.
Além do assassinato de Antônio Vergílio Gomes, no último dia 31, o pecuarista Luís Gonçalves da Silva, 65 anos, foi encontrado morto em seu sítio, localizado no bairro Rio Verde, zona rural de Bauru. As investigações apontaram que ele recebeu uma forte pancada na cabeça.
Dois dias depois, o pedreiro Nelson de Morais, 61 anos, foi achado nas proximidades da linha férrea com graves ferimentos no crânio. Segundo a polícia, ele foi morto a pedradas. No dia seguinte, o vigilante José Marcos Furtado, 31 anos, foi preso e confessou o crime.