10 de julho de 2026
Internacional

Egípcios fazem protesto contra candidato ligado a Mubarak


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Cairo - Milhares de ativistas se reuniram ontem na praça Tahrir, no Cairo, para um protesto contra o candidato presidencial Ahmed Shafik, um ex-militar que foi primeiro-ministro no extinto regime de Hosni Mubarak.

Parte dos manifestantes na praça apoiava o rival de Shafik no segundo turno da eleição presidencial, Mohamed Mursi, da Irmandade Islâmica, mas outros expressavam sua frustração por precisarem optar entre dois candidatos que não estavam ligados à revolução popular que derrubou Mubarak no ano passado. “Antes de mais nada, há sangue entre nós e ele. Se o elegermos, estamos elegendo o antigo regime”, disse Ahmed Mustafa, 39 anos, lutador desempregado de kung-fu, que diz ter sido ferido por balas de borracha disparadas pelas forças de segurança durante a rebelião de 2011.

Shafik, ao contrário de Mursi, não foi à praça. Mas, numa entrevista coletiva em um hotel cinco estrelas da periferia cairota, ele estendeu a mão à juventude egípcia, prometendo manter a Tahrir como um espaço para a liberdade de expressão. Disse ainda que manterá a Internet livre de censura, e que vai gerar empregos.

“Digo à juventude para não temer. Vocês estarão livres para protestar, e vou proteger a liberdade do uso da Internet”, afirmou ele a centenas de seguidores, num palanque montado no gramado do hotel.

O segundo turno da eleição presidencial, em 16 e 17 de junho, marca o apogeu de uma longa e tensa transição política dominada pelas Forças Armadas. A posse do novo presidente está prevista para 1 de julho.