O longo tempo de espera no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) durante a tarde de ontem causou grande tumulto, que terminou com a vidraça de uma porta quebrada. Além disso, o pai e a mãe de uma criança de 2 anos que aguardavam pela consulta médica acusam os seguranças terceirizados que atuam no local por agressão. A Polícia Militar (PM) foi acionada pelos funcionários da unidade e registrou a ocorrência.
A confusão aconteceu por volta das 18h15. Dênis William Pereira relata que entrou na área restrita a servidores a fim de saber o porquê da demora no atendimento, já que estava desde as 14h no local, junto de sua esposa, Nanci Pereira, e outra criança, de apenas 2 meses de vida.
De acordo com testemunhas, o homem teria sido maltratado por funcionárias e, por conta disso, se exaltou. A partir desse momento, ele teria sido agredido pelos seguranças. O tumulto teria ocasionado a quebra da vidraça da porta que divide a sala de espera e o setor restrito a servidores e aos pacientes já chamados.
Dênis mostrou à reportagem do Jornal da Cidade hematomas em seu braço e diz que estava com o filho doente nos braços no momento em que teria sido agredido.
Sua companheira, ao notar a confusão, foi até o local com o bebê de 2 meses e afirma ter sido empurrada pelas seguranças do sexo feminino que estavam no local. Minutos após a ocorrência, ela chorava com a criança no colo.
Eleniza Mendes Lopes também aguardava o atendimento da filha de 7 anos e confirma o relato dos pais que acusam os seguranças de agressão. “Eu tive que entrar lá para pegar o bebê que estava no colo da mãe. Eu observei tudo e ele entrou, inicialmente, para saber o que estava acontecendo, com muita educação. Ficou nervoso depois de ter sido maltratado”, relata.
A indignação com o fato era unânime entre os pais e mães das crianças que estavam no PAI. Eles afirmam que os pacientes não estavam sendo chamados, o que passou a ocorrer apenas depois da chegada da equipe de reportagem no local.
Deonice Gomes esperava desde as 15h para que seu filho de 10 anos fosse atendido e denuncia que as funcionárias do PAI ficaram, por muito tempo, no estacionamento da unidade comprando perfumes e edredons.
“É um absurdo isso acontecer enquanto as crianças estão passando mal. Algumas foram embora sem serem atendidas”, afirma.
Saúde deve apurar
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, afirma que vai apurar o caso e pretende assistir às imagens da câmera de monitoramento instalada no local. No entanto, alega que foi informado de que o tumulto foi gerado por um pai que tentou forçar o atendimento do filho.
“As pessoas precisam entender que não é a ordem de chegada que define a prioridade no atendimento, mas a gravidade. As pessoas que costumam iniciar os tumultos são aquelas que sequer precisavam estar ali”, afirmou Sabbag, ignorando a unanimidade no relato dos pais das crianças.
Segundo ele, um dos médicos estava atendendo um caso de emergência no momento, o que poderia justificar a lentidão nos chamados para atendimento. “Esses pacientes chegam por trás e quem está esperando não os vê. A informação que tive era de que havia apenas 20 fichas na espera, o que não é um número muito grande. As enfermeiras que fazem a triagem são muito criteriosas”, pontuou.
Sabbag disse ainda desconhecer o fato de servidoras estarem comprando mercadorias no horário de trabalho. “Vou apurar”, finalizou.
Escala estava incompleta
Apesar dos argumentos, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, admite que dois médicos não são suficientes para o atendimento nas tardes de sábado, pois a escala prevê que, pelo menos, três profissionais estejam de plantão. “Eventualmente nós não conseguimos isso”, afirmou.
De acordo com o diretor, o concurso público realizado recentemente tem como prioridade sanar os problemas nas escalas do PAI. Vale lembrar que, em 2011, a Saúde dobrou de R$ 600,00 para R$ 1.200,00 o valor pago por plantão aos médicos.
Serviço terceirizado
Luiz Antônio Bertozzo Sabbag afirmou que, caso fique comprovada a agressão pelos seguranças contra os pais, o município pedirá o afastamento imediato desses profissionais à empresa Portal Segurança e Vigilância Ltda., contratada da Prefeitura para a prestação deste serviço. “O contrato prevê as punições contra a empresa”, afirmou.
Os seguranças trabalham armados com cassetetes. Segundo as testemunhas, três seguranças do sexo masculino e duas do sexo feminino estiveram envolvidos no tumulto.
Até o fechamento desta edição, a diligência da PM estava em andamento e os nomes dos seguranças não foram divulgados.