09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Duartina: Um apelo à luz e à caridade


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Foi entre aquelas quatro paredes que me discerni. E entendi a vida. E soube dos porquês do destino que me fez ser quem sou. O pensamento entregue às inspirações enquanto no ar, a prece sincera e comovida de meu pai. Meus primeiros passos a subir aquelas escadas não há como esquecer. Tampouco hei de esquecer aqueles olhares e os sentimentos que os iluminavam. A porta grande abria-se generosa aos infortunados que abraçavam agradeci- dos o pouco que se podia doar. Àquela época havia um jardim que ladeava a entrada e ao qual aprendera a me dedicar.

Ali não havia outros interesses que não fossem a aplicação sincera e genuína das orientações cristãs. Encontrei nesse templo meu primeiro e maior convite à sabedoria nas páginas de Allan Kardec, Léon Denis, Herculano Pires... Com trabalho e a colaboração dos que confiavam nas sublimes intenções dos dirigentes daquela casa foi possível ampliar a biblioteca, além de promover as reformas necessárias a garantir mais espaço e conforto aos seus frequentadores. Mas a incompreensão humana cerrou as portas à solicitude. É triste observar nosso Centro Espírita Luz e Caridade completando seus sessenta anos de fundação de portões fechados à necessidade alheia. Que interesses são esses que pretendem suplantar o desejo de uma maioria de exercer sua fé sob um teto erguido à base da união e da concórdia? Há, no entanto, uma esperança... De que se abram as portas do entendimento. De que a consternação e o bem inundam os corações.

E que contrariamente ao que dizem os detratores, seja a crença na espiritualidade o elo que une os homens no único e simples propósito de ensinar pelo exemplo o amor e a paz. Este é o apelo ao bom-senso e à compreensão. Não há sentido em mantermos fechadas as portas de acesso à Luz e à Caridade.

Samir E. Fernandes