08 de julho de 2026
Internacional

UE diz que resgate espanhol terá custo

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Madri - No primeiro dia útil após a Espanha anunciar aceitar uma ajuda externa de até 100 bilhões de euros para o seu setor bancário - mas qualificando-a não de resgate e sim de crédito barato e sem condicionalidades -, a União Europeia (UE) deixou claro: “não existe almoço grátis”.

“Quando as pessoas emprestam dinheiro, nunca o fazem de graça. Elas querem saber o que será feito dele”, disse Joaquin Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia. O empréstimo será supervisionado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo FMI.

A UE nega assim o que foi dito pelo premiê espanhol, Mariano Rajoy anteontem, para quem não haveria custo na forma de medidas de austeridade. Essa suposta falta de exigências provocou protesto de outros países resgatados, sobretudo Portugal.

As novas condicionalidades, ainda a serem definidas, estão limitadas à banca, mas o governo espanhol terá de cumprir o Pacto de Estabilidade, que inclui baixar o deficit do país para 3% até 2014, subir impostos diretos e acelerar o aumento da idade para aposentadorias.

O principal índice da Bolsa espanhola caiu 0,5% e os juros que o governo espanhol paga a seus devedores subiram de 6% para 6,47%.

Nos anos anteriores à crise, boa parte dos bancos espanhóis, principalmente as “cajas de ahorro” (poupanças), emprestaram bastante para espanhóis interessados em investir no crescente mercado imobiliário. Muitos emprestaram muito mais do que tinham em depósitos.

Com a crise e o estouro da bolha, inadimplência em alta e ativos em baixa, os bancos dependentes do mercado interno entraram em um círculo vicioso.

Com o dinheiro do resgate, eles vão poder “limpar” seus balanços: vender ativos tóxicos, mesmo perdendo dinheiro, e usar o montante injetado para voltar a emprestar para famílias e empresas, gerando empregos.