09 de julho de 2026
Esportes

Jogos Abertos: Vai dar tempo?

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura de Bauru divulgou o edital de abertura da licitação para a reforma e ampliação da cancha de malha e bocha do Estádio Distrital Silvio de Magalhães Padilha, que será utilizada nos Jogos Abertos do Interior. De acordo com as informações que constam no site da prefeitura, o valor estimado da obra é de R$ 762.397,82 e o prazo para conclusão das obras será de 180 dias. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, para participar da tomada de preços os interessados deverão entregar os envelopes contendo documentação e proposta comercial na Secretaria da Administração, no prédio da Prefeitura Municipal até 15h do dia 27 de junho.

Pela modalidade de licitação, primeiramente, serão abertos os envelopes com a documentação para verificação se os pleiteantes à obra atendem todos os requisitos legais. Após isso, existe um prazo legal de cinco dias para que interessados recorram. Caso não haja contestação, decorridos os cinco dias serão apreciadas as propostas comerciais. Escolhida a empresa vencedora, novamente existe determinação legal para que se respeite cinco dias para a contestação. Somente após todos estes trâmites, a reforma poderá ter início.

Em uma conta simples, fica claro que o prazo de 180 dias estoura o limite de início dos Jogos Abertos. A empresa vencedora da licitação começará as obras em meados de julho e terá prazo para concluir a obra em janeiro, dois meses após a realização dos Abertos em Bauru, que têm data para ocorrerem entre 12 e 24 de novembro. Caso a empresa vencedora da licitação não faça a obra em quatro meses, não poderá ser responsabilizada legalmente.

Outro fato que chama a atenção é que a prefeitura não disponibilizou as especificações do projeto da obra, justificando o custo da reforma, como ocorreu na licitação para a pista de atletismo do Complexo Milagrão. A prefeitura afirma apenas que será “executada uma ampla reforma que inclui implantação de piso, revestimento, pintura, rede de captação de água pluvial, instalações hidráulicas e elétricas, forros, caixilhos, cancha de malha e bocha e área de convivência”.

 

“Erro de digitação”

O secretário de Esportes de Bauru, Roger Barude, se mostra surpreso com o prazo de conclusão da obra, que ultrapassa a data dos Jogos Abertos. Barude acredita que houve uma falha no momento de elaborar o texto da abertura de licitação. “Deve ter sido erro de digitação. Hoje (ontem), não consegui falar com o secretário de administração, mas vou procurá-lo amanhã (hoje). Acho que foi erro de digitação. Alguma coisa está errada aí e vou procurar saber. É uma construção simples, fácil e é construção para quatro meses. Vou verificar tudo isso para ver o que ocorreu”, promete. “Tem errata. O projeto foi feito e não é para demorar, se tiver boa vontade, faz em três meses”, garante o secretário.

As obras completas no Padilhão, segundo Barude, contemplam duas canchas de bocha e uma de malha. As instalações de bocha serão usadas nos Abertos e a de malha, somente se for necessário. A intenção da Semel é que as disputas de malha dos Abertos ocorram no Clube União Independente Princesa Isabel. A cancha de malha do Padilhão seria construída para atender demanda dos moradores da região. Barude não dispunha naquele momento de informações detalhadas sobre a reforma, especificando quais melhorias consumiriam determinado valor.

De acordo com o secretario, o montante estimado no edital de abertura de licitação, ao contrário do que foi divulgado, não inclui as canchas, que seriam construídas posteriormente. Assim, o custo total deve ser maior. “Mas não dá nem 20% da construção do pavilhão”, ressalta.

 

Abertos podem custar até 12,2 milhões

O custo dos Jogos Abertos do Interior em Bauru multiplicou-se. Como noticiou o Jornal da Cidade em abril, em uma conta rápida, ainda sem contar com a precisão do destino de R$ 3,7 milhões injetados no orçamento da Semel deste ano por decreto do prefeito Rodrigo Agostinho, é possível afirmar que os Abertos custarão entre R$ 8,5 milhões e R$ 12,2 milhões. A conta é feita a partir da soma dos R$ 4,5 milhões da pista de atletismo, com R$ 1 milhão de repasse estadual, mais R$ 2,3 milhões autorizados pelo Legislativo, além de R$ 776 mil, destinados à compra de materiais esportivos, oriundos dos repasses decretados. Se somados os 3,7 milhões, chega-se ao valor máximo de R$ 12,2 milhões.

A despesa com o atletismo é o que mais chama a atenção, visto que a modalidade vai custar mais de R$ 5 milhões, Uma vez que, além dos R$ 4,5 milhões da pista, a Semel ainda terá gastos com aquisição de materiais esportivos exclusivos para o atletismo estimados em mais R$ 422 mil. A princípio, a pista teve custo anunciado entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. Em 2011, a dotação orçamentária destinada em lei à Semel foi de R$ 3,5 milhões. Neste ano, o setor já supera a destinação de R$ 12,2 milhões.