08 de julho de 2026
Política

DAE ?coleciona? máquinas quebradas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Não dá para dizer que é surpreendente. Na edição de 9 de maio deste ano, o Jornal da Cidade mostrou que seis das 16 retroescavadeiras do Departamento de Água e Esgoto (DAE) estavam paradas, aguardando manutenção. Em pouco mais de um mês, o problema apenas avançou, de acordo com Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). A entidade apresentou ontem relatório que aponta apenas uma máquina funcionando.

Representantes do sindicato fizeram vistoria ontem no local onde o maquinário quebrado fica depositado e na sede de uma das equipes da autarquia, no Parque São Geraldo, e constataram a grande quantidade e o nível de sucateamento de retroescavadeiras e outros equipamentos.

Além disso, ouviram relatos de servidores sobre os reflexos da má gestão na prestação de serviços, que interfere diretamente no atendimento à população.

Isso porque as retroescavadeiras são essenciais para a execução dos reparos nos constantes vazamentos de água. Exemplo disso é o número de solicitações de ordens de serviços paradas: 593. O dado também foi fornecido pelo relatório apresentado pelo Sinserm.

Alguns servidores do DAE e membros do sindicato relataram que o avanço no número de retroescavadeiras quebradas poderia ter relação com o combustível comprado pela autarquia, pois os defeitos estariam sendo constatados na bomba injetora das retro, como é o caso de das duas paradas na base do Parque São Geraldo.

O problema é antigo. Pelo menos duas retroescavadeiras estão paradas há mais de dois meses e aguardam reforma geral. Há duas semanas, o JC publicou que o número de máquinas paradas já chegava a nove.

O Sinserm alega que as denúncias acerca do que chama de ‘sucateamento’ do DAE começaram ainda em 2010, com documentos entregues à Câmara Municipal de Bauru, mas arquivados pela Comissão de Fiscalização e Controle. Este ano, uma representação foi entregue junto ao Ministério Público (MP).

 

“População nos vê como vagabundos”

José Aparecido Conde trabalha em uma das equipes de manutenção do DAE e diz que, pela falta de máquinas e materiais, muita vezes, fica sentado na calçada, esperando as condições mínimas pra executar seu trabalho. “A população nos vê como vagabundos. O contribuinte pensa que a gente não faz o que precisa ser feito por má vontade, o que não é verdade”, relata.

O encarregado Nelson Vieira da Silva confirma a informação e lembra que, em muitos casos, servidores comprarem materiais, como luvas e pás, com recursos próprios. “Quando dá, a gente faz, porque é nossa obrigação resolver os problemas. Não tem como deixar um vazamento para trás”, afirma.

Os trabalhadores denunciam ainda a falta de equipamentos de segurança para o trabalho. “Este problema começou há cerca de quatro anos, mas vem se agravando cada vez mais e, em 2012, tomou proporções que fugiram do nosso controle”, coloca.

 

DAE não responde

A assessoria de imprensa do DAE foi acionada para dar esclarecimentos acerca das denúncias do Sinserm. No entanto, informou que o diretor da Divisão de Apoio Operacional (DAO), Fabiano de Lucas Gavaldão, só poderia ser encontrado a partir da manhã de hoje, em razão do fim do horário de expediente.

Além disso, disse que apenas seis retroescavadeiras estavam quebradas e disse que a movimentação do sindicato tem relações com a proximidade do período eleitoral.

A autarquia realizou, ontem, pregão presencial para a aquisição de peças para conserto de cinco retroescavadeiras. A reportagem pediu informações sobre o processo, mas, por e-mail, a assessoria enviou nota, às 16h26, pontuando que o pregão não havia terminado. Por isso, poderia se posicionar apenas hoje.

Para amanhã, está programada a compra de quatro novas retroescavadeiras. Já na sexta-feira e no dia 19 de junho, outros maquinários serão licitados. Vale lembrar que o DAE recebeu R$ 3 mi lhões arrecadados pelo Refinanciamento Fiscal (Refis) para a renovação da sua frota.

No entanto, o problema é antigo e as falhas de gestão têm emperrado os processos de compra, não apenas relacionados ao maquinário, mas também a outros produtos essenciais ao DAE, como o cloro, como já denunciou também o JC.