Brasília - Um dia depois de se negar, em depoimento à CPI do Cachoeira, a entregar seus sigilos, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou ontem que mudou de ideia.
“Telefonei para os dois líderes do PSDB, na Câmara e no Senado, autorizando a quebra dos meus sigilos assim como já foi feito pelo governador de Brasília (Agnelo Queiroz). Quem vai estabelecer os períodos é a CPI. De qualquer maneira, os líderes já foram autorizados por mim a procederem a quebra dos sigilos”, afirmou.
A declaração foi dada em entrevista coletiva em Goiânia. Perillo, entretanto, não disse quais sigilos aceita abrir - fiscal, bancário ou telefônico.
A postura do tucano mudou após o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), anunciar ontem, também em depoimento à CPI, que oferece seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, com o argumento de que “quem não deve não teme”.
O anúncio do governador arrancou aplausos e assovios de assessores do governo do Distrito Federal e parlamentares, que acompanhavam a sessão da CPI. Os dois falam à CPI sobre suas relações com o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso acusado de corrupção.
Agnelo na CPI
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), voltou a defender ontem seu ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro, que segundo a Polícia Federal, teria relações com o empresário Carlinhos Cachoeira, e teria recebido um rádio de comunicação exclusivo da organização que seria comandada pelo empresário.
Em depoimento à CPI que investiga os laços de Cachoeira com empresas e políticos, Agnelo afirmou reiteradamente que Monteiro não serviu de elo entre seu governo e o empresário, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.
Ele também negou que o ex-auxiliar atuasse em favor da construtora Delta, apontada pela PF como empresa que teria Cachoeira como sócio oculto e que seria usada por ele para lavar dinheiro obtido com jogos ilegais.
Agnelo disse conhecer Monteiro há muitos anos e que ainda tem “muita confiança” nele. O ex-assessor foi afastado do governo em abril, depois que surgiram suspeitas de seu envolvimento com Cachoeira.
Monteiro ainda deve prestar depoimentos na CPI, mas Agnelo disse que perguntou ao aliado se ele recebeu o telefone exclusivo, como suspeita a PF, e ele negou que isso tenha acontecido.
O governador também negou que o ex-auxiliar tratasse de contratos da administração distrital e descartou que ele tivesse agido em favor da construtora Delta na coleta de lixo no Distrito Federal.