08 de julho de 2026
Geral

Homem vai ao PS, é liberado e morre

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Eram 2h da manhã de ontem, quando Mauro Rogério Conrado, 35 anos, saiu de sua casa, localizada no Parque Primavera, para trabalhar como fazia todos os dias. Dez horas depois de se despedir da sua esposa, porém, ele teve um infarto que tirou sua vida. O fato não trouxe só tristeza aos familiares da vítima, mas sim revolta. O problema é que, pouco antes de morrer, ele foi atendido no Pronto-Socorro Central (PSC) e liberado.

Pai de dois filhos – com idades de 3 e 6 anos -, Mauro Conrado trabalhava como entregador no Jornal da Cidade. Durante o serviço na madrugada de ontem, sentiu-se mal e foi levado ao PSC. “Era por volta das 5h da manhã, quando me ligaram do hospital dizendo para eu ir até lá para acalmá-lo”, conta Vanessa Barbosa Conrado, 32 anos, que era casada há 9 anos com a vítima.

Ainda bastante abalada, ela relata que chegou ao PSC logo no começo da manhã e encontrou o marido. “Ele disse que tinham feito vários exames e nada tinha sido encontrado. Mas, ele não parava de se queixar de dor. Dizia que o peito doía muito. Segundo ele, era como se estivesse queimando”.

A esposa afirma que Mauro Conrado chegou a receber oxigênio por estar com dificuldades de respirar. “Não me deixavam muito ficar com ele. Nos momentos em que eu conseguir ficar perto, ele não parava de reclamar da dor e chegou a vomitar”.

Por volta das 10h, a família ficou mais tranquila. Mauro Rogério Contado saiu andando do hospital. De acordo com a esposa, ele recebeu alta após passar por um cardiologista. O médico, segundo a família, teria dito que seu problema não era no coração.

“Ele saiu com uma receita de omeprazol (medicamento indicado em casos de úlceras e refluxos). O médico disse que não tinha nada e que era para ele ficar tranquilo. Até brincou dizendo que era Dia dos Namorados e que a dor era por estar apaixonado”, relata Vanessa Conrado.

A recomendação do médico era a de que, caso a dor continuasse, o paciente procurasse um gastroenterologista ou mesmo realizasse uma endoscopia.

 

Em casa

Porém, sem o tempo de procurar qualquer outro médico, a dor continuou. A esposa relata que, durante todo o trajeto até sua casa, localizada na quadra 1 da rua Francisco Gabriel de Andrade, ele continuou reclamando da dor intensa no peito. Em casa, a dor não diminuiu .

Ele dormiu meia hora e disse que não conseguia mais dormir. Estava muito inquieto. Era por volta das 11h, quando eu entrei no quarto e já o encontrei roxo, conta.

Além da cor assustadora, ele estava com a boca travada e suando bastante. Ambulâncias do PSC e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas. O socorro tentou reanimar Mauro Rogério Conrado por cerca de uma hora, porém, sem sucesso.

É um absurdo. Ele nunca teve nada. Tinha pressão alta, mas mais nada. Como vai para o PS, é visto pelos médicos, liberado, sai de lá e morre?, questiona a esposa, em tom de desabafo. Ela afirma que, nos próximos dias, vai registrar um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil para que o caso seja apurado.

O velório de Mauro Rogério começou ontem no Centro Velatório São Vicente. O sepultamento está previsto para hoje, as 15h, no Cemitério Cristo Rei.

 

Resposta

Em nota enviada pela assessoria de comunicação, o departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento confirmou que Mauro Rogério Conrado esteve na unidade e que foi liberado.Porém, de acordo com a assessoria, o paciente foi submetido a todos os exames disponíveis, inclusive eletrocardiograma, cujo resultado não apresentou anormalidade. Com isso, Mauro Conrado “foi medicado e mantido em observação, após apresentar melhora foi liberado”.