08 de julho de 2026
Geral

Aids gera tratamentos de urgência

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Um levantamento realizado pela Secretaria do Estado da Saúde na última semana apontou que 65 bauruenses precisaram se submeter à profilaxia pós-exposição ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2011. Em média, o número representa que ao menos três pessoas são atendidas por mês nas unidades de saúde de Bauru com suspeita de contaminação por aids.

Do total de atendimentos, 55% das pessoas teriam tomado com urgência o coquetel preventivo por questões de exposição aos riscos no ambiente de trabalho e outros 34% seriam vítimas de violência sexual.

A profilaxia pós-exposição é uma forma de prevenção da infecção ao HIV, por meio do uso de medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids. 

De acordo com a infectologista do Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI), Maristela Pastore, após a exposição ao risco de contágio, o paciente é submetido ao uso de remédios que devem ser administrados por 28 dias, sem interrupção, para impedir a infecção. Em Bauru, das 65 pessoas que necessitaram do coquetel no ano passado, 36 eram funcionários da saúde que se envolveram em acidentes de trabalho. Outras 22 pessoas precisaram da medicação por serem vítimas de violência sexual. Já a exposição sexual ocasional ao vírus totalizaram cinco casos e a imunização de casais sorodiscordantes (quando um dos parceiros é portador do vírus) dois. Já no Estado, foram 3,6 mil atendimentos preventivos.

Segundo a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, Eliane Monteiro, o CRMI, ainda não contabilizou os casos de pessoas que necessitaram do coquetel preventivo neste ano, mas a média de atendimento atingiria cerca de 3 pessoas por mês. 

 

Dedo furado

A enfermeira Islaine Maressa Pelegrina faz parte dessas estatísticas. Trabalhando há mais de dez anos na área da saúde, ela precisou ser medicada com o coquetel depois de se acidentar com um material utilizado em um paciente com Aids.

Enquanto realizava uma pulsão, ela se distraiu com uma pergunta e a agulha acabou enroscando em um esparadrapo e furando seu dedo.

“Quando vi o sangue dentro da luva passaram mil coisas pela minha cabeça e eu fiquei sem reação, não acreditava que aquilo poderia ter acontecido”, conta a mulher.

Após a exposição, Islaine, foi medicada, e conseguiu ‘barrar’ a contaminação. A expectativa dela e de sua família duraram por mais de 60 dias, após a constatação do resultado em um exame de sangue posterior ao período da imunização.

Segundo Eliane Monteiro, acidentes de trabalho como o de Islaine acontecem com frequência na área da saúde. “A maioria dos acidentes é causada por conta do ‘reencape’ da agulha que será descartada”, alerta a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids.

 

72 horas

Sexo sem camisinha com portadores HIV positivo, vítimas de violência sexual ou acidentes de trabalho com objetos cortantes na área da saúde, a contaminação ocorre de diversas formas.

Conforme explica a infectologista do CRMI, Maristela Pastore, o ideal é que o procedimento médico comece em no máximo após 72 horas depois da exposição ao vírus HIV.

“O uso do medicamento deve começar o mais cedo possível. É difícil avaliarmos a eficácia da profilaxia, que pode diminuir com o passar das horas, tudo dependerá do modo de exposição. Mas o tratamento em si garante a diminuição dos riscos”, ressalta a médica Maristela.

Os pacientes submetidos ao procedimento são medicados com uma espécie de antiretroviaral e recebem acompanhamento que pode variar de três a um ano, variando conforme o caso. O coquetel consistiria na ingestão de dois medicamentos, que são administrados de uma a duas vezes ao dia.

Nas exposições em que ocorra o sangramento e o contato com mucosas a possibilidade de contaminação aumenta, assim como nas situações em que haja ruptura de preservativos em relações sexuais com pessoas portadoras do vírus e que tenham outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

 

Como é o atendiment a pacientes com suspeita de contágio

O atendimento aos pacientes com suspeita de contaminação é realizado atualmente em quatro unidades de saúde de Bauru.

São elas: o Centro de Testagem e Aconselhamento e Centro de Referência em Moléstias Infecciosas, nos  dias e horários comerciais; e o Pronto-Socorro Central, aos finais de semana.

Nos casos que envolvam mulheres vítimas de violência sexual, o atendimento médico é realizado, por enquanto, pela Maternidade Santa Isabel com acompanhamento do Centro de Referência da Mulher e do CRMI, conforme explica a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, Eliane Monteiro. Entretanto, uma reunião com a nova gestão da maternidade nesta semana deve definir se haverá um novo local para o atendimento.

Em todo o Estado há 317 postos cadastrados, que prestam o atendimento de profilaxia. Para informações, basta acessar o site www.crt.saude.sp.gov.br ou ligar para o Disque DST/Aids (0800 16-25 50).

 

 

 

O Centro de Testagem e Aconselhamento fica na Rua XV de Novembro, 3-36, Altos da Cidade. O telefone é o (14) 3234- 576.

O Centro de Referência em Moléstias Infecciosas – CRMI fica na Rua Silvério São João, s/nº. Os telefones são (14) 3224-2380 e (14) 3235-1463.

A Maternidade Santa Isabel fica na Araújo Leite, quadra 26.  O telefone é o (14) 3226-1507

PS Central fica na Rubens Arruda s/nº.

O telefone é o (14) 3235-1373