A porta destrancada sem qualquer sinal de arrombamento. Foi isso que a jornalista Marisa Naomi Fei, 25 anos, encontrou ao chegar em seu apartamento, localizado na quadra 9 da rua Almeida Brandão, na Vila Cardia. Dentro do imóvel, além da bagunça, descobriu que fora furtada. A poucos metros, outro prédio também foi alvo de bandidos. Lá, pelo menos três apartamentos foram “visitados” pelos ladrões.
Marisa conta que saiu por volta do meio-dia e ficou fora o dia todo. “Encontrei tudo bagunçado. Levaram meu notebook, um iPod e uma corrente de ouro. O prejuízo passa de R$ 5 mil”. O furto ocorreu anteontem.
No prédio ao lado, localizado na quadra 3 da rua Minas Gerais, o estrago foi ainda maior. “Uma das garotas que mora comigo chegou e não conseguiu colocar a chave. Depois, ela viu que a fechadura tinha sido danificada. Por sorte, eles não conseguiram arrombar e entrar”, conta Danielle Nagase, 23 anos.
Contudo, outros dois moradores do prédio não tiveram a mesma sorte. Os bandidos conseguiram entrar nos imóveis e furtar os imóveis. Além da porta do apartamento, o prédio possui dois portões. Ambos foram abertos sem qualquer sinal de força física.
Uma das vizinhas - que teve a identidade preservada por motivos de segurança - viu uma dupla suspeita. “Eram dois jovens. Um alto magro e outro mais baixo. Ambos brancos. Eles passaram por mim conversando. Pareciam estudantes”, conta a mulher, de 44 anos, que trabalha como securitária.
Para as vítimas, não há dúvidas: trata-se de um “arrastão”. Porém, a Polícia Civil investiga o caso com cautela. “Já houve situações semelhantes, porém, é algo sazonal. Não é uma tendência. Pode ter sido apenas uma coincidência”, destaca o delegado Milton Bassoto Júnior, do 3.º Distrito Policial (DP).
Em abril, um prédio na Vila Aviação foi cenário de um arrastão. Na ocasião, quatro apartamentos foram invadidos durante a tarde pelos ladrões, que fugiram levando joias, televisores e dinheiro.
Na ocorrência de anteontem, em ambos os prédios que foram alvos dos ladrões, há uma semelhança: a segurança deixa a desejar em vários quesitos. O principal problema é a ausência de sistema de monitoramento e, principalmente, de portaria.
Prevenção
Apartamento vazio em prédio sem esquema de segurança adequada é combinação perfeita para se criar um alvo fácil para os ladrões. O oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), capitão Renato Ramos, afirma que é preciso compensar essas deficiências com uma espécie de “segurança pessoal”.
“As pessoas precisam instalar fechaduras mais resistentes, as chamadas chaves tetra. Ela deve ser instalada na parte inferior da porta, pois é a parte mais fácil de arrombar. Outra opção boa é instalar aquelas correntes de segurança interna”, aconselha o capitão, destacando outro equipamento eficiente: o famoso “olho mágico”.
Segundo ele, as pessoas precisam tomar cuidados básicos, como evitar deixar portões abertos e se precaver nas entregas de encomendas. Renato Ramos, entretanto, destaca o convívio com vizinhos como uma arma de prevenção importante.
“É bom haver um consenso entre vizinhos. Cada um precisa ter uma lista de todos os proprietários com nome e telefone. Caso suspeite de algo, pode acionar o morador ou a Polícia Militar”, completa o capitão Renato Ramos.
Segredo ‘bem secreto’
O título pode parecer redundante, porém, é o que pode evitar “visitas” indesejadas em seu apartamento. Tratam-se dos segredos das fechaduras. A Polícia Militar (PM) alerta para que as pessoas sempre mudem estes segredos quando alugam ou compram um imóvel.
“Os bandidos possuem estratégias para conseguir obter este segredo antigo. É por isso que, em alguns casos, não há sinais de arrombamento. O ideal é acionar um chaveiro e mudar este segredo depois de qualquer mudança”, aconselha o capitão Renato Ramos.
Investigação
O delegado Milton Bassoto Júnior, do 3.º Distrito Policial (DP), afirma que os casos de furtos em apartamentos que forem notificados na Polícia Civil serão investigados. Ele, entretanto, afirma que a falta de segurança - como portaria e sistemas de monitoramento - dos prédios é um problema até para a própria coleta de pistas.
“Ficamos à base da sorte. Como não há imagens de vigilância, precisamos torcer para que estes produtos furtados sejam apreendidos em meio à venda de drogas, entre outros. Outra alternativa é conseguir um informante, mas realmente, é algo difícil”.
Para ter ‘furto tranquilo’, ladrões usam o interfone
O interfone é um equipamento de segurança que garante ao morador visualizar quem está do lado de fora sem que ele tenha que sair do imóvel. Porém, os ladrões conseguiram reverter completamente o objetivo do aparelho.
Moradores e a polícia acreditam que os criminosos interfonem para os apartamentos a fim de descobrir quais deles estão vazios ou não. No furto de anteontem, realizado no prédio da quadra 3 da rua Minas Gerais, um dos apartamentos chegou a ser acionado. Porém, como havia pessoas no interior do imóvel, disseram que se tratava de engano.
O oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), capitão Renato Ramos, destaca que os vizinhos precisam estar atentos a este modo de operação. “É uma estratégia usada pelos bandidos. Caso isto aconteça com algum morador, ele deve ficar atento. Se a situação realmente estiver suspeita, a pessoa pode ligar para o 190”, conclui.
Secovi aconselha ter, ao menos, ‘meia portaria’
Quem nunca ouviu o adágio popular “o barato sai caro”? É baseado neste ditado que o Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) aconselha os condomínios a investirem em segurança.
Segundo o diretor da regional Bauru do Secovi-SP, Riad Elia Said, apesar de ser um fator que encarece o valor do condomínio, a portaria é um dos itens de segurança mais importantes. “O prédio deve ter portaria. Nem que seja a ‘meia portaria’. Apesar de não ser durante período integral, o porteiro fica durante a noite, que é um dos períodos de maior risco”, afirma.
O diretor da área de comercializações da regional Bauru do Secovi-SP, Fernando Pegorin, explica que uma das alternativas bastante procuradas pela população são os condomínios com vários apartamentos.
“Nestes casos, pode-se investir em sistemas de segurança e o preço do condomínio não fica muito alto. Quando há muitos apartamentos, a divisão dos custos é maior”, finaliza.