Em estudo realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Bauru recebeu nota 7 - considerada mediana - quanto ao gerenciamento de entulho produzido pelo setor. O levantamento, apresentado durante mesa-redonda realizada pelo Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) 2012 e a 3ª Feira Integrada de Meio Ambiente de Bauru (Fimab), avaliou o desempenho de Bauru e outros 347 municípios do Estado.
O melhor deles foi São José dos Campos, com nota 9,2. Para a elaboração do índice, foram avaliados critérios como a existência de um programa integrado de gerenciamento de resíduos, ações educativas sobre o tema, sistema de coleta, índice de reaproveitamento dos materiais descartados, entre outros.
Ainda que alguns avanços já tenham sido conquistados em Bauru, alguns desafios ainda permanecem como “pedras” no caminho da sustentabilidade quanto o assunto é resíduo produzido pelo ramo da construção. Durante a mesa-redonda realizada ontem no Recinto Mello Moraes, representantes do segmento discutiram os problemas que ainda precisam ser sanados para destinar, da maneira mais eficaz e ecologicamente correta, as cerca de 600 toneladas diárias de restos de construção produzidos na cidade.
De maneira unânime, eles apontaram a necessidade de conscientização da população para que o projeto seja bem sucedido. “A situação de Bauru não é ruim, mas há muito ainda a ser feito. E a principal saída é a conscientização da população, que ainda joga lixo comum nas caçambas, achando que estão fazendo a coisa certa. Mas não estão”, aponta Renato Parreira, diretor do SindusCon em Bauru.
Ralph Ribeiro Junior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), destaca que o lixo orgânico, quando em contato com o entulho, pode “contaminá-lo” e inutilizá-lo, impedindo o reaproveitamento até mesmo para os bolsões. “Trata-se de um resíduo não pode ser colocado em contato até mesmo com outros tipos de materiais usados pela construção civil, como partículas de gesso, solventes e tintas. Se estiver contaminado por este tipo de substância e for depositado numa área de erosão, por exemplo, pode acabar poluindo os lençóis freáticos quando chover”, observa.
Conquistas
Consultado pela reportagem, o prefeito Rodrigo Agostinho, que não participou da mesa-redonda, salientou algumas conquistas do município para organizar e regulamentar a destinação deste tipo de resíduo, como a criação de uma associação de caçambeiros e de uma lei municipal para responsabilizar as empresas geradoras de entulho foram importantes. “Com isso, as empresas ficam obrigadas a providenciar a separação e destinação deste resíduo de acordo com o tipo de material. E o transportador contratado fica responsável por lançá-lo no local adequado”, assinala.
Mas, conforme reconhece o titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Silva, a fiscalização ainda não é rigorosa porque a prefeitura ainda não tem condições de emitir o chamado Controle de Transporte de Resíduos (CTR). Sem ele, teoricamente, nenhuma obra poderia receber o “Habite-se”, desde 1º de maio deste ano. Mas, como a prefeitura ainda está cadastrando as construtoras e os transportadores de entulho porque o programa de informática demorou a ficar pronto, acaba não tendo autoridade para cobrar a contrapartida ambiental. “Houve uma falha que gerou este atraso. Mas já estamos emitindo alguns CTRs, ainda em fase de testes. Quando o cadastramento for concluído, o que deve acontecer daqui a cerca de seis meses, a fiscalização vai começar para valer.”
Bauru terá usina de reciclagem
Outra necessidade do município é a instalação de uma usina de reciclagem para tratar o entulho que hoje é destinado à recuperação de áreas de erosão da cidade. A obra, orçada em R$ 1,2 milhão, deverá ser construída até o ano que vem com recursos do Fundo Socioambiental Caixa (FSA), conforme destaca o Valcirlei.
Bauru, hoje, não trata nem 2% do entulho, conforme lembra Márcio Colim, membro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag). Segundo ele, no Japão, este índice chega a 90%. “Estamos muito distantes do que seria o ideal quanto à destinação destes resíduos. Eles precisam voltar à cadeia produtiva e ser reaproveitados. Os produtos fabricados a partir deles tem qualidade tão boa quanto os que são feitos a partir de matérias-primas convencionais.”
Segundo Valcirlei, Bauru não conta com usinas de reciclagem privadas e somente uma empresa está construindo sua própria unidade. A ideia é que a usina municipal possa tratar e reaproveitar concreto para pavimentação asfáltica, construção de bancos de praça e recuperação de ruas de terra e estradas rurais.