Foco na violência que não é evidente e alerta para a boa convivência entre alunos na escola. Estes e vários outros temas foram abordados no encontro entre professores, diretores e coordenadores de 162 escolas da rede estadual de ensino de Bauru e região, que aconteceu quinta-feira e sexta-feira, na sede da Diretoria de Ensino de Bauru. O projeto é integrado ao programa “Diga não à Violência”.
O encontro entre os profissionais da educação foi uma parceria com o Observatório de Direitos Humanos da Unesp, coordenado pelo professor de filosofia da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Clodoaldo Meneguelo Cardoso.
Segundo Cardoso, a proposta da reunião se encaixa no desdobramento da Jornada de Direitos Humanos, realizada em abril. “Levamos nossos alunos de pedagogia para participar do projeto. Lá, nós trabalhamos com três temas que envolvem a violência nas escolas, crianças, adolescentes e educação voltada para os direitos humanos. Tudo dentro de dinâmicas de grupo, textos e debates”, coloca o professor. “A iniciativa é importante para discutirmos as questões de valores e como elas se aplicam na violência. O objetivo do encontro não é chegar a um consenso e sim transmitir informações e experiências. A população deve entender que há uma necessidade de reflexão social da educação”, reitera Cardoso.
Entre alunas
No caso mais recente divulgado pelo JC, uma adolescente de 14 anos registrou, no Plantão da Polícia Civil, um boletim de ocorrência de agressão contra outra aluna de uma escola Estadual de Bauru. A violência não ocorreu dentro da escola, mas os desentendimentos entre as alunas sim.
O crescimento da intolerância entre estudantes no ambiente escolar é aparente. De acordo com Gina Sanchez, dirigente regional de ensino, o professor deve selar a paz na escola e minimizar todo e qualquer conflito. “É preciso estar atento sobre a comunicação entre alunos na escola, seja no pátio ou na sala de aula. O bullying acontece há muitos anos e os alunos devem ser orientados de que certas ‘brincadeiras’ não são saudáveis e devem ser evitadas”, diz Gina. “A violência verbal deve ser notada e não entendida como corriqueira. Nosso objetivo é chamar a atenção para aquilo que não é tão evidente e pode ter sérias consequências na vida do aluno”, acrescenta a dirigente regional de ensino.
Segundo Sanchez, após a campanha divulgada pelo governo no último dia 13 (leia mais nesta página), professores e diretores se mobilizaram para criar projetos que incentivem a tolerância entre alunos por meio de textos, educação musical e círculos de discussões em sala de aula. Segundo a dirigente, a campanha foi um marco para o combate ao bullying. “Em todas as escolas, na primeira aula do dia 13, uma carta da Secretaria de Educação foi lida e mostrou aos alunos que, por mais que se discuta, o bullying ainda é um problema e os estudantes de todos os anos precisam estar conscientes disso”, finaliza Gina.
Governo usa rede social
O Governo de São Paulo lançou, esta semana, uma campanha para combater o bullying nas escolas. Como parte da iniciativa, serão distribuídas 250 mil cartilhas a professores. Além disso, foi criada uma página no Facebook. Ao todo, há 4,3 milhões de crianças e adolescentes na rede estadual paulista.
O lançamento da campanha aconteceu na capital com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do secretário da Educação, professor Herman Voorwald. Na ocasião, foi anunciada a parceria com a iniciativa “Chega de Bullying”, desenvolvida pelo Facebook e Cartoon Network, que teve início no ano passado nos Estados Unidos. Segundo o governo, as cartilhas deverão esclarecer aos professores como identificar agressores e vítimas, qual é o comportamento dessas crianças e dá dicas para auxiliar na superação dos problemas. Já a página no Facebook é a primeira ferramenta de cunho pedagógico lançada pela pasta na rede social.
A Secretaria de Educação afirmou que tem desenvolvido outras ações preventivas, como a formação de 950 novos professores-mediadores, que serão responsáveis por desenvolver projetos pedagógicos para ampliar os fatores de proteção e coibir eventuais pontos de vulnerabilidade e conflitos inerentes à comunidade escolar.