Mais que eventos, o meio ambiente precisa de ação. Os humanos têm usufruído e explorado o planeta a seu favor desde que tomou o comando da vida na Terra e, pensando só nos resultados imediatos, não planejou, não respeitou, não pensou nos problemas a longo prazo. Estamos bem no ponto de intercessão entre consertar os erros ou destruir de vez e quem encabeça essa destruição é o próprio destruidor. Depois que ele se extinguir, o planeta se reconstruirá novamente. Mesmo com a certeza de tudo o que pode acarretar, a negligência continua, enquanto alguns tentam fazer o caminho de volta, a maioria segue para o abismo e outros usam o momento frágil para se dar bem, como a hipocrisia das sacolinhas que sufocam o planeta. As autoridades se aproveitam para mostrar serviço em ano de eleição e as ações que deveriam ser um empenho diário viram evento. Eles são necessários para organizar e planejar, mas para ser eficaz deve ser 10% discussão e 90% transpiração, e não é o que vemos na prática. Os temas abordados resumem a solução para todos os outros problemas que possam surgir, vou torcer para que não fiquem só no papel e nas palestras e virem realidade.
Que a prefeitura finalmente tome posse da gestão ambiental. Que o policiamento e a proteção sejam aplicados no dia a dia. Que os rumos sustentabilidade no varejo sigam além da proibição de sacolinhas e comecem no controle do desperdícios nos supermercados e atacados de alimentos. Que a preservação da água seja uma atitude responsável e estendida a todos começando com o exemplo, informação e punição, se for o caso.
Que o cuidado com o ar seja levado a sério, começando pelas queimadas urbanas e empresas que vomitam fumaça 24 horas por dia. Se for dado o destino certo para toda espécie de lixo, os aterros podem um dia virar apenas um campo de compostagem, resultando em adubo. O controle de agrotóxicos e a volta de alimentos orgânicos a preços do tamanho do poder aquisitivo da maioria. O descarte e reutilização dos resíduos da construção civil. Energia mais limpa e sustentável que não precise inundar terras com seus habitantes naturais. O reaproveito dos eletrônicos que se tornaram febre nacional, o número de celulares no Brasil é maior que a população . Em abril/12 eram 253 milhões.
A preservação da mata original e o reflorestamento. Não basta plantar milhares de mudas, a natureza precisa de cuidado e monitoramento, quantas sobrevivem se deixadas à própria sorte? Mais importante que plantar é cuidar das que existem, não é o que vejo só no pequeno espaço que convivo. A quem denunciar? Para todos os lados que vou ninguém se responsabiliza. A lista é longa, mas se tomadas as atitudes certas no que eu chamo de básicas, o resto vem a solução em cadeia.
Vamos realizar eventos e feiras e palestras, mas a base para que gerem os efeitos necessários começa na pré-escola. Se os adultos se perderam e a maioria não faz sua parte, as crianças são as armas mais poderosas nesse combate, porque irão cobrar dos adultos que elas convivem e irão ter a informação e formação para quando tomarem o controle da situação. A sustentabilidade tem que começar em cada um fazendo sua parte, porque estamos todos no mesmo barco à deriva chamado Planeta Terra, a única casa que conhecemos e devemos respeitar acima de tudo.
Dora Canaver